Zika vírus pode continuar crescendo no cérebro de bebês mesmo após nascimento

Zika vírus afeta na formação do cérebro do bebê (Foto: Jaqueline Silva)

Pesquisadores norte-americanos descobriram evidências de que o Zika vírus se replica em cérebros de fetos por até sete meses após a mãe ter sido infectada e mostraram que o vírus pode persistir mesmo após o nascimento, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira.

As descobertas confirmam observações anteriores em estudos de caso que sugeriam que o Zika vírus pode se desenvolver em cérebros de fetos e placentas.

“Nossas descobertas mostram que o Zika vírus pode continuar a se replicar nos cérebros de crianças mesmo após o nascimento e que o vírus pode persistir nas placentas por meses – muito mais do que nós esperávamos”, disse Julu Bhatnagar, líder da equipe de patologia molecular do Ramo de Patologia de Doenças Infecciosas do CDC, e principal autora do estudo, em nota.

As descobertas ajudam a explicar como o vírus causa más-formações devastadoras e abortos espontâneos, mesmo que a mulher tenha sofrido apenas um pequeno mal-estar. No mês passado, a Organização Mundial da Saúde declarou que o Zika não é mais uma emergência internacional, mas ressaltou a necessidade de um esforço de longo prazo para o combate ao vírus, que foi relacionado a milhares de problemas de nascença e complicações neurológicas.

Para o estudo, pesquisadores do CDC testaram tecidos de 52 pacientes com suspeita de infecção por Zika, incluindo tecidos cerebrais de oito bebês que tiveram microcefalia e depois morreram. Eles também testaram tecidos de placenta de 44 mulheres – 22 das quais tiveram bebês aparentemente saudáveis e 22 que sofreram abortos espontâneos, abortaram, tiveram natimortos ou bebês com microcefalia. O Zika foi apontado como causa da microcefalia, uma rara má-formação que faz com que os bebês nasçam com cabeças e cérebros muito pequenos e pode gerar necessidades especiais por toda a vida.

Os pesquisadores descobriram material genético do Zika em tecidos cerebrais de fetos e placentas mais de sete meses após as mães terem contraído o vírus. Em um caso, eles também descobriram evidências de que o vírus estava crescendo em uma criança com microcefalia que morreu dois meses após o nascimento. (Reuters)

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