Veterinária não tem dúvidas de que cadelinha Vitória Guerreira sofreu tortura

“Eu chorava, a Simona chorava, o sinal não abria, era desesperador ouvir ela (a cadelinha) ganindo de dor”. Assim começa o relato de Iomar Lubas, aposentada e protetora dos animais, que socorreu a cadela de 3 meses que teve a pele arrancada no último sábado no Bairro Coophavila II, em Campo Grande.

Ela e outra protetora, a serralheira Simona Zaim, estavam em busca de um lar temporário para outro cão abandonado quando receberam uma ligação de que adolescentes estariam maltratando um cachorro naquelas redondezas, “Quando chegamos ela já estava nas mãos de uma meninas que viram esses garotos levando a cachorra para o mato e estavam espancando ela”, conta Simona. Segundo a protetora, depois disso, levaram o filhote até uma clínica veterinária, “Os gritos dela estão até agora na minha cabeça”.

A veterinária, Jucimara Pereira, que atendeu o caso, afirma que o animal chegou com um corte muito grande nas costas, com todo o subcutâneo exposto e os dois membros posteriores totalmente sem tecido com exposição de nervos e ligamentos. Ela acredita que a princípio a cachorrinha, que recebeu o nome de Vitória Guerreira, pode ter sido atropelada, “As lesões das patas pode até ter sido um atropelamento, mas o das costas é um corte liso feito por material cortante, disso temos certeza”.

Pereira explica que a pele do animal não apresentava escoriações ou irregularidade nas bordas do local atingido, “O corte estava muito profundo com perda de tecido, pele, músculo e exposição de intestino”. De acordo com a veterinária nos casos de atropelamento, onde o cão tem as vísceras expostas, geralmente aparecem resquícios de terra, pedaços de asfalto e grama, o que não foi encontrado.

Registrado na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat) o caso começou a ser investigado nesta segunda-feira (1°). A polícia localizou a dona do animal que confessou que o abandonou em um terreno baldio depois que ele foi atropelado alegando que não teria condições financeiras para bancar o tratamento. Ela será indiciada por maus tratos.

A Decat trabalha em conjunto com a Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) para apurar se houve mesmo o crime de tortura e se há o envolvimentos de adolescentes no caso.

Células-tronco

O quadro clínico de Vitória é delicado de acordo com, a veterinária Jucimara, “Pelo fato das vísceras terem ficado expostas ao ar ainda existe a possibilidade de uma peritonite (infecção no abdômen)”. Assim que o risco for superado a cadelinha começara um tratamento com células-tronco. Com alta capacidade de divisão que geram células especializadas, as células-troco são capazes de regenerar o tecido lesionado acelerando a recuperação.

O tratamento foi doado por uma bióloga que pesquisa o método.

Penas mais duras

Há pouco mais de um mês a Câmara do Deputados aprovou um projeto de Lei que criminaliza maus tratos contra cães e gatos. O PL, que aguarda a aprovação do Senado, prevê prisão de 1 a 3 anos para quem causa a morte de cães e gatos.

Lubas afirma que esta é a terceira vez que resgata um animal em situação de maus tratos no Coophavila II, “É um antro da carnificina, um descaso tanto da população quanto da Prefeitura”, declara. Simona, acredita que para melhorar a situação dos cães e gatos da Capital o serviço de castração gratuita deveria receber mais apoio e se tornar mais eficiente, “A gente vê direto o pessoal se desfazendo dos bichos como se fosse lixo, é um pecado”.

Luana Campos

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