Vereadores radicalizam e rejeitam Projeto da Prefeitura que pedia empréstimo

Câmara de Vereadores de Campo Grande
Câmara de Vereadores de Campo Grande

A crise institucional entre a Câmara de Vereadores e o Executivo Municipal marcou hoje, mais um sinal de agravamento e radicalidade, com os parlamentares rejeitando por 22 votos, apenas três a favor, o projeto que o prefeito Alcides Bernal havia encaminhada ao Legislativo, para que se autorizasse a Prefeitura de Campo Grande a contratar empréstimos em financiamento no valor de R$ 12,5 milhões, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por intermédio da Caixa Econômica Federal. A efervescente relação ou falta da mesma, além desta reprovação, já está no ponto confirmado por parlamentares, de encaminhamento de novo processo de afastamento do chefe do Executivo, conforme publicamos mais cedo.

Bernal, que retornou judicialmente ao cargo em agosto do ano passado, após ser cassado em março de 2014, não teve trégua dos vereadores, bem como também, até tentou desenhar, mas acabava por não dar chance de uma relação harmonizada. Durante este período até foram aprovados matérias encaminhadas pelo Executivo, que hoje não conseguiu passar o projeto que visava atualizar o sistema computacional da Administração, de forma a garantir softwares necessários aos diversos sistemas gerenciais praticados pela prefeitura.

O oposicionista ferrenho, vereador Edil Albuquerque (PMDB), foi quem puxou criticas severas ao Projeto e encaminhou reprovação incondicional da matéria. Ele lembrou, segundo visão, da péssima administração, que ainda vem requerer mais recursos para endividar o município. Como ainda, do que seria um planejamento e prioridades de uma gestão para a cidade. Edil exemplificou que “o fato do prefeito, até o momento, não ter pagado as entidades sociais que passam por privações e correm o risco de serem fechadas. Além da situação das vias da cidade, que estão cheias de buracos, já levaria a justificar a recusa. Nós sabemos ainda que falta tão pouco para concluir unidades de saúde, e outras obras, e não se faz. Qual é o melhor para a Capital e mesmo para sua gestão? O que temos de prioridade e vem buscar nosso aval para um novo e milionário projeto? Não podemos votar esse projeto”, finalizou.

A também pemedebista Carla Stefaninne, que se posicionou no seu voto, foi mais além e levantou adjetivos forte contra o possível novo recurso carimbado. “Empréstimos são dados a quem tem credibilidade, responsabilidade e confiabilidade. E tudo isto falta, aliada a falta de Planejamento desta administração, não tem como dar um aval deste tamanho. É impensável assinar em baixo de um projeto sendo feito e levado por pessoas assim”, discursou.

“Pensando no futuro”

Para o presidente da Casa de Leis, João Rocha (PSDB), se os vereadores tivessem aprovado o projeto, a prefeitura perderia a capacidade de contrair novos empréstimos caso precisasse. “Em tempos em que estamos sofrendo com enchentes, dengue, em que temos essas necessidades, nós estaríamos diminuindo a reserva. A nossa capacidade de empréstimos para resolver essas questões”.

O vereador Eduardo Romero (Rede), ainda lembrou que a cidade fechou em 2015 com R$ 1 bilhão a menos no orçamento. E que, nesse ano, a prefeitura já trabalha com uma arrecadação no valor de R$ 500 milhões. “Nós já sabemos que a prefeitura vai fechar novamente no vermelho. Uma cidade que não tem condições de cumprir seus compromissos, ainda quer fazer empréstimos e depois vai pagar como? Nós temos outras prioridades”, afirmou.

Carlão, do PSB, também lembrou que o município hoje é considerado um dos piores na área da saúde no Centro-Oeste e que um empréstimo feito com uma instituição internacional seria cobrado em dólar. “Eles querem agilidade só para sangrar a cidade. Nós teríamos que pagar em dólares os ajustes”.

Projeto

O projeto tinha como finalidade, atualizar o sistema computacional, de forma a garantir softwares necessários aos diversos sistemas gerenciais praticados pela prefeitura. A ação previa a atualização do sistema de geoprocessamento interligando todas as unidades da administração, proporcionando mais rapidez; capacitação de servidores; melhorar o atendimento ao cidadão; e atualizar o sistema de gestão de receita para melhorar a forma de arrecadação do município e ampliar investimentos. Tudo isso orçado em R$ 12,5 milhões.

Matéria: Lúcio Borges 

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