Vereadores querem intervenção na Prefeitura por uniformes “made in Paraguai” entregue a alunos

Fotos: Lúcio Borges
Fotos: Lúcio Borges

O prefeito Alcides Bernal ganhou mais um problema para esclarecer e administrar entre o constante embate com a Câmara de Vereadores, após denuncia feita nesta segunda-feira (27) quanto a Prefeitura ter distribuído os uniformes escolares, que chegou agora no fim do mês de junho, em material com baixa qualidade de fabricação “made in Paraguai”. As peças começaram a ser entregues na semana passada aos alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino), sendo evidenciado ou denunciado ontem, o estado das roupas. Algumas peças foram levadas na manhã desta terça-feira (28) a sessão ordinária da Câmara, onde diversos parlamentares se manifestaram “estarrecido” com a situação. Eles querem providencias para esclarecer o assunto e ver a legalidade do Poder Público municipal ter feito ‘negocio’ com empresa internacional.

O vereador Paulo Siufi (PMDB) abriu os discursos, apontando que é mais um assunto e surpresa, que a atual administração faz para a cidade, que em suma traz algum prejuizo ao município, e, que não dá para ficar sem fazer nada. “Depois de tanto tempo entregaram os uniformes, seria para comemorar, apesar da data. Mas, mais uma vez vem uma surpresa para nossa cidade, que nos causa espanto, tira o sono dos justo e afronta a consideração aos nossos cidadãos, que foram preterido pela administração de sua cidade. Havíamos pedido para incluir no edital que a empresa para fabricar o uniforme de nossas crianças fosse do Estado. E não só não foi incluído e dado, como ainda vem esta surpresa com compra até fora do Brasil”, discursou o pemedebista.

Siufi, que é ferrenho opositor de Bernal, mostrando da tribuna o calção e camiseta, questionou ainda o próprio material. “Olhemos isto, com essa qualidade inferior, isto é um material ruim, que não vai durar nem até fim do ano, sendo entregue este fim de junho. Além de comprar produto ruim, não só pelo negocio, mas devemos lembrar que nossos uniformes foram considerados exemplos no Brasil, por muitos anos e que outros municípios vieram aqui copiar. E agora temos isso?”, questionou o vereador. 3c3b76ee-7a82-4b4a-8cc6-663f2fe7406c

Pais de alunos de escolas municipais de Campo Grande foram surpreendidos quando viram que, nas etiquetas das bermudas distribuídas semana passada pela Prefeitura, tinha a seguinte informação: “Fabricado no Paraguai”. O valor total investido pelo Executivo na compra das camisetas, bermudas e calçados foi de R$ 3,8 milhões, sendo o primeiro lote no valor de R$ 2.989.120,92 e o segundo a R$ 858.925,20, custos que colocam sob suspeita a procedência dos produtos.

Intervenção

Durante o pronunciamento de Siufi, diversos outros vereadores também se posicionaram e chegaram a pedir uma intervenção no município. Os parlamentares declararam que a situação é grave e pode voltar a ser caracterizada como um dos crimes que segundo eles, levou a Câmara, a cassar seu mandato. “Temos que ir ao Ministério Púlbico Estadual e Federal até, porque envolve questão de comercio exterior com isso. Temos que pedir intervenção em nossa cidade. Não dá para acreditar, aceitar isto, foge a lei, a valorização dos negócios e cidadãos de nossa cidade, Estado, País, além da questão de ter pago algo sem valor”, disse Airton Saraiva (DEM).

Vereadores fazem fila para discurssar
Vereadores fazem fila para discursar

Os vereadores Edil Albuquerque e Otávio Trad, ambos do PTB, fizeram um requerimento, que teve adesão sendo subscrito por quase todos os parlamentares, para pedir todos os esclarecimentos e documentos regulares até Federal para comprovar a legalidade da transação. “Queremos e vamos cobrar estas informações o mais rápido possível, dentro do prazo regimental, queremos cópias de todos os documentos da licitação e se houve, pois tem que haver, os requeridos da Receita Federal, referente a legalização da importação dos produtos do exterior. E além de termos uma justificativa plausível para buscar noutro país ante mesmo a nossa crise econômica”, mencionou Trad.

Empresas – A Prefeitura de Campo Grande publicou na edição do Diário Oficial do Município do dia 3 de junho a compra dos primeiros lotes de uniformes para os alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino), mais de dois meses após o início das aulas. Camisetas e calçados foram comprados a R$ 3,8 milhões das empresas Nilcatex Têxtil e Odilara Frassão Calçados Eireli, segundo consta na publicação.

Nas etiquetas das bermudas entregues pela Semed (Secretaria Municipal de Educação) aos alunos da Reme, por meio da prefeitura da Capital, há a informação de que as peças foram importadas pela empresa Triunfo Comércio e Importação, de Blumenau (SC), e distribuídas pela Odilara.

Já as camisetas foram confeccionadas pela empresa Nilcatex Têxtil Ltda, também localizada em Blumenau. O contrato foi assinado com as duas empresas no dia 26 de abril. Assinam pela compra Ricardo Trefzger Ballock, Patricia Aparecida Kogler e Odilara Fátima Frassão.
Em 2015, a empresa Nilcatex também forneceu uniformes para a prefeitura, recebendo R$ 16 milhões. Só no ano passado foram distribuídas 240 mil camisetas, 120 mil bermudas, 120 mil pares de meias e 60 mil tênis aos alunos.

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