Vereadores indignados com pedido do Gaeco e questionam sigilo de investigação

Os vereadores de Campo Grande se reuniram a portas fechadas na manhã desta terça-feira na Câmara Municipal. O encontro começou por volta das 8h30 no gabinete da presidência da Casa de Leis junto da procuradoria-jurídica da Câmara. A reunião durou pouco mais de 1 hora.

Flavio César, fse mostrou indignado com o vazamento dos pedidos Foto Silvio Ferreira
Flavio César, fse mostrou indignado com o vazamento dos pedidos Foto Silvio Ferreira

O presidente interino da Casa, Flávio César (PT do B) disse que até a manhã de hoje nenhuma notificação ou informação oficial sobre pedidos de afastamento chegaram na Câmara. Depois ele fez em discurso no Plenário lembrando que o papel dos vereadores é o de propor leis e fiscalizar a administração municipal, que o chefe do Executivo não pode fazer o que quiser da prefeitura”. 

A fala preparou a apresentação do contexto em que a comissão processante que cassou Bernal foi criada, para demonstrá-la como fundamentada e legítima.

O discurso ocorre depois que os pedidos do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para prisão do prefeito afastado Gilmar Olarte e do empresário João Krampe Amorim e afastamento de 17 vereadores terem sido divulgados pela imprensa no início da noite de ontem (28),

O vereador lembrou ainda que o próprio Procurador-Geral do Ministério Público Estadual veio à Casa pedir aos vereadores que tomassem às medidas legais cabíveis, diante de todos os fatos amplamente divulgados pela imprensa. Assim, ninguém brinca de ser vereador e o mínimo que a população esperava naquele momento é que tomássemos as atitudes adequadas sobre os atos comprovados de improbidade administrativa cometidos pelo chefe do Executivo Municipal.”

Airton Saraiva (DEM) afirmou que não se pronunciaria sobre os pedidos de afastamento porque “tudo está sob segredo de Justiça”.

Flavio César, fse mostrou indignado com o vazamento dos pedidos. Além de surpreso, ele contou que achou estranho o processo que tramita sob segredo de Justiça ser divulgado pela imprensa. “Estamos trabalhando normalmente”, ressaltou.

A mesma opinião tem o presidente da Comissão de Ética, João Rocha, que comanda a investigação de nove vereadores, mas também é citado no suposto esquema para comprar votos para cassar Bernal. “Recebi com muita estranheza, mas estou com a consciência tranqüila”, afirmou, na sessão desta terça-feira. Ele disse que a decisão cabe ao desembargador Luiz Cláudio Bonassini.

O vereador Otávio Trad (PTdoB) afirmou,”não entender porque o mesmo Ministério Público Estadual, que na figura de um de seus procuradores, fez declarações à imprensa em que afirmou que ‘a omissão dos vereadores quanto aos atos de improbidade administrativa de Bernal, poderia gerar ações na Justiça contra os vereadores, agora pede o afastamento dos vereadores que votaram pela cassação.”

O procurador-geral de Justiça, Humberto Brites, pediu o afastamento dos vereadores Carla Stephanini, Edil Albuquerque, Vanderlei Cabeludo e Paulo Siufi, do PMDB; Edson Shimabukuro (PTB); Eduardo Romero, Otávio Trad e Flávio César, do PTdoB; Gilmar da Cruz (PRB), Delei Pinheiro, Chiquinho Telles e Ademar Vieira Júnior, o Coringa, do PSD; Airton Saraiva (DEM); Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB); Jamal Salem (PR), João Rocha (PSDB) e Waldecy Batista Nunes, o Chocolate (PP).

Dos 29 vereadores, 22 estão presentes na sessão da Câmara Municipal.

Silvio Ferreira com Jackson Nogueira

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