Venezuela: Governo Maduro promete 10 anos de prisão para quem protestar contra ‘Constituinte’

Número dois do chavismo e braço-direito do presidente Nicolás Maduro, Diosdado Cabello alertou que quem tentar impedir a votação de uma Assembleia Constituinte para a Venezuela no próximo domingo poderá pegar até 10 anos de prisão. Cabello é um dos candidatos do oficialismo à Constituinte, da qual a oposição se recusou a participar, alegando que esta é uma estratégia de Maduro para concentrar o poder e dissolver o Parlamento. Após quase quatro meses de protestos violentos quase diários nas ruas, a expectativa para domingo é de um dia tensão para os venezuelanos.

Mais de 100 manifestantes contrários a Nicolás Maduro já foram mortos pelas forças do governo desde o início dos protestos que pedem o ‘fim da ditadura’ e novas eleições. Foto: AFP

Segundo Cabello, a maioria dos venezuelanos apoia a convocação do governo para a Constituinte. No entanto, um referendo extra oficial organizado pela oposição na semana passada mostrou ampla rejeição à proposta. Sairam às urnas mais de 7 milhões de pessoas dentro e fora do território nacional, e 98% dos votos pediram mudança poítica na Venezuela e expressaram oposição à Constituinte.

O aliado de Maduro também garantiu que a votação acontecerá, apesar das ameaças dos EUA. Trump disse que “tomará rápidas e fortes medidas econômicas” se Maduro persistir em realizar, no dia 30 de julho, a eleição da Constituinte, que a oposição considera uma “fraude” do chavismo para se perpetuar no poder e fazer da Venezuela “outra Cuba”.

“Os Estados Unidos não ficarão passivos enquanto a Venezuela desmorona”, afirmou Trump em nota oficial na semana passada, sem detalhar o alcance das medidas.

Segundo o presidente americano, apesar de 7,6 milhões de venezuelanos terem votado contra a Constituinte no domingo em um plebiscito simbólico organizado pela oposição, essas ações são “ignoradas por um mau líder que sonha se tornar um ditador”.

Música contra a tirania: Wuilly Arteaga é atendido após ser ferido no rosto em manifestação; violinista ficou famoso nos protestos – Foto Reuters

Pressão interna

Enquanto isso, a oposição venezuelana convocou uma greve geral de 48 horas para quarta-feira. A ação repetiria a manifestação que deixou o país quase paralisado nesta semana. Segundo o deputado Simón Calzadilla, a “greve cívica” entre quarta e quinta-feira será um mecanismo de pressão uma semana antes da votação dos candidatos da polêmica Assembleia Constituinte.

A coalizão da oposição e um movimento jovem chamado “Resistência” lideram as manifestações contra Maduro desde o início de abril. Eles acusam o presidente de transformar a Venezuela em uma ditadura e destruir o que deveria ser uma economia próspera. Maduro, por sua vez, diz que os manifestantes clamam por um golpe com o apoio dos EUA.

Desde abril, mais de 100 pessoas já morreram nos protestos, com milhares de feridos e centenas de manifestantes presos. Cinco pessoas morreram durante uma greve nacional liderada pela oposição na quinta-feira.

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