Um fazedor de amanhecer para usamentos de poetas. A rua é sua, Manoel!

“Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.”

Há 100 anos atrás, nascia um fraseador, que queria ser lido pelas pedras e queria que as palavras servissem na boca dos passarinhos. Há 100 anos atrás em Cuiabá, nascia Manoel Wenceslau Leite de Barros, o poeta Manoel de Barros.

Uma lei aprovada pelo prefeito Alcides Bernal homenageia dignamente Manoel de Barros. Na comemoração do centenário do poeta pantaneiro, que dava respeito às coisas desimportantes e usava as palavras para compor os silêncios, a principal avenida do Parque dos Poderes, a Avenida do Poeta passa a se chamar Avenida Poeta Manoel de Barros. Podem achar redundância mas não é. Poetas existem muitos, Manoel, só o nosso.

Manoel de barros é um ícone da literatura, em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor”.

Manoel define sua poesia apenas como jogos de palavras que não querem esconder nenhum significado obscuro. Está tudo ali, basta ao leitor apreciar o resultado de suas experiências vocabulares.

A poesia atrai poucos adeptos, em decorrência de sua complexidade, sua linguagem cheia de referências, é um texto rebuscado por natureza.

E se tudo isso fosse simplificado? E se não houvesse tantas referências a tantos poetas com nomes sofisticados que já não caminham por essas terras? E se a crítica fosse esquecida? E se o poeta não tivesse a obrigação de se dizer conhecedor de Mallarmé, Baudelaire e Maiakovski? E se apenas houvesse admiração pela improvável combinação de palavras? Esse cenário mostra-se possível no documentário Só dez por cento é mentira, dirigido por Pedro Cezar, sobre o poeta Manoel de Barros.

O autor se considera um vagabundo nato, praticante do ócio que brinca com as palavras, criador de universos que remetem à infância. Avesso a entrevistas orais, Manoel define sua poesia apenas como jogos de palavras que não querem esconder nenhum significado obscuro. Está tudo ali, basta ao leitor apreciar o resultado de suas experiências vocabulares.

Queria eu ser como Manoel                                                                                                   Enxergar a vida na significância do que não importa                                                           Falar com o sotaque das águas e gostar tanto de passarinhos                                                Queria eu ser como Manoel, nunca envelheceria                                                                    Seria sempre um fraseador menino.

Obrigado Manoel,

Saudades Poeta.

https://www.youtube.com/watch?v=QZLC8wNVtfs

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