Uruguaios fazem fila em farmácias para comprar maconha legalizada

VEJA/JP

Consumidor exibe pacote adquirido legalmente em uma farmácia em Montevidéu, no Uruguai (Foto: Andres Stapff/Reuters)

Começou nesta quarta-feira, 19, no Uruguai a venda ao público de maconha para uso recreativo em um grupo de farmácias locais. No total, são 16 estabelecimentos autorizados pelo governo a comercializar a erva.

De acordo com jornal uruguaio El País, desde às 8h já havia filas nas portas das farmácias para comprar o produto. Em Malvín, um dos bairro de Montevideo, o produto se esgotou.

Na lei aprovada em 2013 para regular a produção e venda da erva, os estabelecimentos que desejam vender maconha precisam passar por um rigoroso processo de seleção.

 Neste caso, a erva foi plantada em terrenos do Estado. Para adquiri-la foi necessário realizar o cadastro em uma das 65 agências do Correio autorizadas. O consumo regulamentado é exclusivamente para uruguaios ou residentes permanentes maiores de 18 anos.

O cronograma para a venda de maconha ao público em farmácias foi o ponto mais conflitivo e complexo dessa lei, apresentada e aprovada durante o mandato do ex-presidente de esquerda José Mujica (2010-2015) como estratégia de luta contra o narcotráfico.

A legislação habilita três vias para ter acesso à cannabis: cultivo em lares, cultivo cooperativo em clubes e venda em farmácias de maconha produzida por empresas privadas controladas pelo Estado.

Segundo meios locais, uma das principais redes de farmácias do Uruguai, San Roque, teria desistido de se juntar ao registro oficial de locais que venderão maconha regulada pelo Estado ao considerar que o processo foi desleixado.

O IRCCA contabiliza, desde que se iniciou o processo de inscrição em 2 de maio, cerca de 4.700 pessoas registradas para comprar maconha. A população do Uruguai é de 3,4 milhões de habitantes.

Os farmacêuticos estão céticos em relação à rentabilidade do negócio. Cada pessoa inscrita tem direito a comprar 40 gramas mensais, a 1,30 dólar (4,1 reais) o grama.

Brasileiros podem fumar?

Desde 1974, o consumo de drogas no Uruguai em lugares públicos é permitido por lei. Naquele ano, quando o país ainda vivia uma ditadura, um decreto-lei instituiu penas para todos os que produzissem, importassem ou vendessem drogas, mas eximiu de qualquer punição aqueles que fossem pegos com uma quantidade pequena para consumo pessoal.

Atualmente, existem 38 clubes em que várias pessoas se unem para plantar a maconha e compartilhar a produção. Um total de 6235 cidadãos uruguaios estão autorizados a ter até seis mudas no quintal de suas casas. Para um brasileiro conseguir fumar, o jeito é conhecer um membro de um clube ou alguém que cultive em casa.

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