Última sessão do ano na Câmara inclui defesa de ‘intervenção na prefeitura de Campo Grande’

A última sessão legislativa de 2015 da Câmara Municipal de Campo Grande foi marcada por mais uma batalha retórica na guerra não-declarada entre Executivo e Legislativo na Capital.

O vereador Airton Saraiva (DEM) defendeu “intervenção estadual ou federal na prefeitura de Campo Grande”. Em uma fala que foi a tônica da maioria dos vereadores a se manifestarem no Plenário da Câmara, o vereador desenhou um cenário de verdadeiro caos na administração municipal de Alcides Bernal (PP):

Jornalista Carlos Roberto denuncia "esquema de Bernal para abertura da Coffee Break" Foto Silvio Ferreira
Jornalista Carlos Roberto denuncia “esquema de Bernal para abertura da Coffee Break” Foto Silvio Ferreira

“É inadmissível que uma proposta de financiamento feita a um organismo internacional seja apresentada à esta Casa, com um erro grosseiro, que depois é retificado por uma ‘Errata’ publicada em Diário Oficial”, ironizou.

Por sua vez, o vereador Paulo Siufi (PMDB) também exigiu respostas aos requerimentos da Casa sobre a atuação irregular da Águas Guariroba na Operação Tapa-Buracos da prefeitura de Campo Grande: “Já recebi da empresa os documentos que requeremos sobre este caso, que é escandaloso, mas fomos completamente ignorados pela prefeitura”, repudiou.

Outra vereadora, Carla Stephanini (PMDB), também cobrou respostas do prefeito: “O requerimento feito em junho pela Câmara, que solicitou satisfações sobre irregularidades no fornecimento de merenda escolar nas escolas da Reme”, que vereadora lembrou, “está há seis meses sem resposta.”

Ao final da sessão, o jornalista Carlos Roberto Pereira, ex-assessor do prefeito, apresentou documentos que supostamente atestam as denúncias feitas por ele através de uma gravação e mensagens nas redes sociais, em que afirma que o prefeito teria usado, para outro fim, uma procuração assinada pelo jornalista, para formalizar uma denúncia junto ao Ministério Público Estadual (MPE). De acordo com o ex-assessor de Bernal: “O documento teria sido usado para formalizar a denúncia sobre o esquema de compra de votos para a cassação de Bernal que desencadeou à Operação Coffee Break”, denunciou.

Declarando-se “enganado por Bernal”, que segundo o ex-assessor, “antes considerava um companheiro”, Pereira fez outras denúncias: “O vereador Cazuza teria consciência do esquema, tendo inclusive me acompanhado a um cartório para protocolar o documento usado no processo” e ainda que “o prefeito Alcides Bernal teria chantageado três vereadores” no processo, “fazendo de tudo, com o único propósito de manter-se no Poder”.

Pereira defendeu ainda que “o Ministério Público Estadual (MPE) investigue como um prefeito que tem um salário de R$16 mil, consegue comprar uma mansão na Capital, no valor de R$3,5 milhões”.

Silvio Ferreira

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