UEMS mostra através de pesquisa como o turismo muda a rotina do pantaneiro

(Foto Ilustrativa)
(Foto Ilustrativa)

O fácil acesso à informações turísticas leva cada vez mais pessoas a descobrirem lugares como o Pantanal sul-mato-grossense, com sua grande diversidade biológica, histórica e cultural. Ao mesmo tempo, porém, em que a chegada de turistas estimula o desenvolvimento econômico da região, ela também muda a rotina e interfere na cultura do homem pantaneiro. É este cenário o foco de uma pesquisa da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

A pesquisadora, Débora Fittipaldi Gonçalves, entrevistou peões e constatou a realidade vivida na transformação dos territórios pelo turismo. “O pantaneiro, habituado às artimanhas do Pantanal convive com a solidão, entende a natureza, sabe ouvi-la e respeitá-la, mas com a chegada dos visitantes, os peões realizam suas atividades de lida diária na presença de pessoas estranhas, que querem conhecer seu trabalho, os levando a procedimentos não costumeiros. Nestes processos, acabam por vezes adotando comportamentos influenciados pelos turistas”, constatou.

A procura pelo turismo em meio rural é um forte nicho de mercado e os donos de fazendas investem e inovam em suas propriedades, alterando o comportamento e o ritmo de vida das mesmas. Segundo a pesquisa, na atualidade, a tradição pantaneira está sob pressão, provocada por este movimento de adaptação da realidade local para atender as demandas do turismo.

O depoimento de um dos peões (cujo nome não foi revelado) revela como é viver e aproveitar dos benefícios do ambiente em que vive. “Para gostar do Pantanal tem que gostar do mato, gostar do passarinho, preservar o meio ambiente, para você respeitar tem que entendê-lo, você nunca pode ir contra a natureza, você tem que entender para poder tira subsídio dela e torná-la autossustentável”, explicou.

Segundo Débora, o turismo tem o poder de aproximar pessoas, culturas, crenças, mas é necessário preservar as particularidades de cada lugar, não interferindo, mas compartilhando e provendo intercâmbio entre os diversos tipos de culturas.

“Para a preservação da cultura pantaneira, uma das a proposta é de uma educação diferenciada a partir dos saberes dos sujeitos locais como um dos caminhos para o reconhecimento, valorização e continuidade da cultura e identidade pantaneiras”, propõe a pesquisadora.

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