Tucanos se reúnem em SP e podem deixar governo Temer

Agências/JP

Reunião da Executiva Nacional do PSDB, quando a legenda decidiu manter sustentação a Temer (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

A cúpula do PSDB volta a se reunir nesta segunda-feira, a partir das 19h30, para definir se desembarca ou não do governo do presidente Michel Temer (PMDB). Classificado como “reunião de emergência”, o encontro vai ocorrer no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, convocado pelo governador Geraldo Alckmin(PSDB). Ele está previsto para começar poucas horas depois da apresentação do parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra o presidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Devem estar presentes diversas autoridades tucanas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de Goiás, Marconi Perillo, o prefeito da capital, João Doria, além de parlamentares. A sigla se reúne em um momento de tensão interna com declarações recentes indicando um afastamento definitivo de Temer. Presidente interino do partido, o senador Tasso Jereissati(CE) disse que o Brasil “beira a ingovernabilidade”, chegando a dizer que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pode dar “estabilidade” para a “travessia”, no caso de um eventual afastamento do peemedebista.

A um grupo de investidores, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), afirmou que a gestão Temer “pode estar diante do fim”. Mais recentemente, o anfitrião da reunião desta segunda, Geraldo Alckmin, disse que não vê motivo para que o PSDB participe do governo depois da votação das reformas, em especial a trabalhista, prevista para ser votada no Senado.

Na avaliação de Alckmin, os tucanos devem ajudar o Brasil, “mas sem precisar participar do governo”. Questionado se este é o momento certo para o PSDB sair da base aliada que dá sustentação ao governo Temer, Alckmin respondeu que, por ele, encerraria a aliança, mas ponderou que o partido tem responsabilidade com o país, ajudando na aprovação das reformas.

Relatório

A expectativa do governo e da base aliada é que o relatório do deputado Sergio Zveiter seja contrário ao presidente, recomendando à Câmara que aceite a denúncia proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Este pode ser mais um argumento para os tucanos desembarcarem, uma vez que a postura de Zveiter traria um parlamentar do próprio partido de Temer se colocando contra ele, enfraquecendo a cobrança sobre outras legendas.

De acordo com as estimativas do presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), o parecer do colega deve ser avaliado pela Comissão até sexta-feira dessa semana, com o governo buscando ao menos os 34 votos necessários para rejeitá-lo caso se confirme a tendência contrária do relator. No entanto, a votação tem caráter simbólico: mesmo que a CCJ recuse a denúncia, esta será avaliada pelo Plenário, onde são necessários 342 votos para que seja aceita.

(Estadão/VEJA)

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