Trinta frigoríficos paralisaram atividades em 18 meses; número de desempregados no setor chega a 10 mil

Minerva Foods encerrou atividades em Mirassol D´Oeste, a 329 quilômetrode de Cuiabá e demitiu 701 funcionáriosA redução no volume de bovinos abatidos e a crise econômica, tanto no Brasil, quanto em países importadores de carne bovina produzida no país, paralisou as atividades de 30 plantas frigoríficas nos últimos 18 meses.

De acordo com o levantamento da Scot Consultoria, o número incluí tanto frigoríficos parados desde 2014, quanto aqueles que estão atualmente em férias coletivas. Outras unidades ainda concederam férias coletivas e voltaram a abater em ritmo lento.

Se contabilizadas, as plantas que tiveram paralisações neste período ultrapassam 40 unidades. Em um contexto mais macroeconômico, a crise econômica nacional reduziu o crédito, o poder de compra da população e o consumo, aumentou o endividamento e o desemprego.

“Readequação, rendimento, economia e otimização” – A ociosidade das plantas frigoríficas elevam os custos dos frigoríficos, em um contexto de crise econômica e alta do custo de energia elétrica, tem desencadeado o encerramento das indústrias fechem as portas ou ajustem suas operações de abate para manter a rentabilidade.

Na última segunda-feira, o frigorífico Minerva, em Mirassol D´Oeste, foi a segunda planta industrial a anunciar a paralisação dos abates e o processamento de carnes bovinas em menos de uma semana no estado do Mato Grosso, demitindo 701 funcionários. Na semana passada, foi a JBS Friboi que fechou a unidade de Cuiabá, eliminando 500 empregos diretos.

Conforme nota enviada na última segunda-feira pela Minerva, a decisão de encerrar a operação na cidade representa uma readequação das operações da companhia no Brasil como forma de obter melhorias de eficiência em rendimento, economia de custos por aumento da otimização da capacidade instalada e incremento de rentabilidade por reequilíbrio geográfico de suas operações.”

As altas do preço da carne no varejo também complicam ainda mais o cenário, mesmo com o setor considerando o repasse do aumento de custos insuficiente, gerando um cenário de preço alto para o consumidor, com consumido em queda. Quando os estoques de carne estão elevados, é preciso comercializar a carne a preços de liquidação, que prejudicam as margens. Frigoríficos de grande porte superam este cenário utilizando ativos em caixa, entretanto, frigoríficos de pequeno não possuem tanto caixa assim e enfrentam dificuldades financeiras.

Mato Grosso do Sul está entre os estados mais afetados – De acordo com levantamento da Scot Consultoria, os estados que apresentam mais frigoríficos parados são Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Rio Grande do Sul. O número de funcionários demitidos ou em férias coletivas pode chegar a 10 mil. O impacto econômico gerado nas respectivas regiões é grande, principalmente em cidades menores onde estas indústrias são responsáveis por boa parte da movimentação econômica.

Apesar da alta da arroba do boi gordo nos últimos meses, a situação das indústrias preocupa os pecuaristas, pois com o encerramento das atividades de pequenos frigoríficos, o setor caminha a passos largos para a concentração do setor frigorífico – e consequentemente do mercado – nas mãos de grandes grupos, como o JBS – deixando os produtores reféns dos preços ofertados pelos poucos frigoríficos ativos.

A menor oferta de bovinos e a demanda preocupante faz com que algumas unidades em Mato Grosso do Sul abatam apenas três vezes por semana. Outras plantas reduziram os turnos de trabalho para se adequar ao novo cenário. De acordo com a Scot Consultoria, “com a projeção de mercado firme para o restante de 2015, fica a expectativa de como as indústrias reagirão ao cenário econômico” e quais serão os ajustes que estão por vir.

Silvio Ferreira, com informações Scot Consultoria

Comentários

comentários