Tribunal de Justiça interfere e meninas que brigaram na escola se abraçam pela paz

Quebrando um pouco a rotina de estudos, na tarde desta segunda-feira (29) a equipe de facilitadoras da Justiça Restaurativa na Escola, programa da Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do TJMS, apresentou a alunos do 7º e 8º anos da Escola Estadual Dolor Ferreira de Andrade o resultado do trabalho desenvolvido pela equipe para superar o conflito enfrentado entre duas alunas que, em fevereiro deste ano, se envolveram numa briga, cujas imagens de violência foram amplamente divulgadas nas redes sociais e noticiadas pela imprensa local.
De acordo com a coordenadora da Justiça Restaurativa nas Escolas, Márcia Regina Soares Pereira, o projeto iniciou em 2012 com a participação de duas escolas da Capital e hoje atende 21 escolas estaduais e 5 municipais. O trabalho desenvolvido, explica ela, busca por meio do diálogo “das rodas de conversa e dos círculos de construção de paz, trabalhar os valores da justiça restaurativa e prevenir de forma pacífica os conflitos e a violência”.
No caso das alunas, explica Márcia, os encontros tiveram início no dia 9 março e dia 12 de maio conseguiram a conclusão, que se deu por meio de um acordo e a restauração da relação num abraço de paz entre as alunas. Durante este período, as adolescentes contaram com o apoio, cada uma, de uma colega que auxiliava na reaproximação e também na manutenção do convívio pacífico no dia a dia na escola.
Conforme explica Márcia, o trabalho da Justiça Restaurativa nas Escolas busca “sensibilizar o corpo discente quanto às práticas pacíficas para resolução de conflitos escolares, utilizando-se do diálogo como ferramenta e os valores da justiça restaurativa: empatia, empoderamento, esperança, honestidade, humildade, interconexão, participação, percepção, respeito e responsabilidade; todos utilizados para resgatar a dignidade humana e disseminar a cultura da paz, promovendo um ambiente pacífico, onde pessoas que antes eram inimigas hoje convivem em harmonia”.
A participação nas dinâmicas da Justiça Restaurativa é voluntária, ou seja, no episódio das alunas, ambas concordaram em fazer parte do processo e, mesmo após selado o acordo, há ainda um acompanhamento posterior.
A técnica tem auxiliado inclusive nos casos de crimes contra a vida e é uma prática incentivada pelo Conselho Nacional de Justiça. Ao apresentarem para turma o resultado do trabalho desenvolvido com as adolescentes, elas tiveram a oportunidade de serem vistas pela escola como exemplo positivo, de que existe outro caminho e de que é possível superar as diferenças e perdoar as falhas para então conviver em paz.
Esta foi a primeira vez que a escola abriu as portas para o trabalho da equipe da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJ, explica o diretor da instituição, Sérgio Júnior. Ele relata que, antes das facilitadoras iniciarem as dinâmicas entre as alunas, o clima entre elas “era de hostilidade, nenhuma olhava para outra, trocando provocações e assim por diante. A partir do início da Justiça Restaurativa mudou completamente este cenário: hoje elas são amigas, elas se abraçam e conversam no pátio”. O diretor complementa que, com o sucesso desta dinâmica, o intuito é abrir as portas também para o trabalho preventivo da Justiça Restaurativa nas Escolas, a exemplo do que já ocorre em outras instituições da Capital.
A Coordenadoria da Infância e da Juventude busca ainda a ampliação do projeto para as comarcas do interior do Estado. Um método totalmente alternativo, com técnicas e dinâmicas bem diferenciadas, mas cujos resultados têm contribuído sobretudo para diminuição dos casos de bullying e violência.

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