TJMS capacita professores com o projeto Mulheres Inspiradoras

Ascom TJMS

Aliar leitura de livros sobre mulheres (e escrito por elas) com a construção de uma identidade de gênero, onde o feminino tem relevância social, é a proposta do Projeto “Mulheres Inspiradoras”, apresentado a professores da Rede Municipal de Ensino da Capital, pelo Poder Judiciário de MS.
Durante dois dias, 5 e 6 de julho, o Tribunal de Justiça, por meio da Escola Judicial e da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, realizou, no Novotel, o curso de capacitação EmPENHAdas pela Educação, que une o Mulheres Inspiradoras como o Programa Maria Faz a Diferença na Escola.
O Pacijus, programa de integração social do TJMS, ficou responsável por arrecadar, com diversos parceiros, exemplares dos livros Eu sou Malala, Não vou mais lavar pratos, Ponciá Vicencio, O Diário de Anne Frank, Metade cara, metade máscara, Espelhos, Miradouros e Dialéticas da Percepção, Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz.
Na quinta-feira (5), a capacitação teve a palestra ministrada pela professora Gina Vieira Ponte, idealizadora do Projeto Mulheres Inspiradoras, criado em 2014 para estimular a leitura e escrita autoral, além do fortalecimento da interpretação de textos entre estudantes dos últimos anos da educação básica.
A proposta consiste em trabalhar com os alunos obras escritas por mulheres e que abordam temas como violência, racismo, empoderamento, diversidade, igualdade de gênero e representação feminina. Após a leitura das obras literárias, os alunos decidem quem é a mulher inspiradora de sua vida. Pode ser a mãe, uma avó ou outra pessoa que os inspirem. A partir de entrevistas feitas com essas mulher, os alunos construirão textos e discutirão a importância do feminino em história.
Letícia Soares do Santos, professora da Escola Osvaldo Cruz, disse que o projeto é fortalecedor para a prática pedagógica e aumenta a autoestima do aluno. “Podemos trabalhar a leitura, a escrita, os gêneros literários e principalmente a memória afetiva e a biografia das mulheres escolhidas pelos jovens como sento inspiradoras. Às atividades não serão atribuídas notas, mas os adolescentes não têm ideia de quanto eles estarão aprendendo sobre a língua portuguesa, a partir deste projeto. Acredito que eles verão sentido na atividade e mudarão atitudes e comportamentos”, disse a professora de língua portuguesa, que participou da capacitação.
Mas o projeto vai além da prática de ensino em escolas. Trata-se de uma mudança de cultura e combate ao machismo, sendo a escola um espaço igualitário onde possa se discutir o que é ser homem e o que é ser mulher.
Segundo Gina Vieira Ponte, o machismo é um elemento estruturante da nossa cultura e, como todos somos sujeitos sociais, formados dentro dessa cultura, de alguma forma, somos machistas. “As mulheres reproduzem esse machismo, mas quem lucra com isto são os homens”, disse.
Ainda, conforme Gina, a única maneira de desconstruir essa cultura é olhar para o que está cristalizado, que colabora para a manutenção do machismo, e pensar em formas de desfazer os mecanismos de gêneros que definem espaços distintos para homens e mulheres.
“Quando impomos a uma menina que ela pense que é frágil, que não pode brigar e não pode se impor, em alguma medida, estamos colaborando para que ela não reaja a uma situação de abuso sexual e de violência doméstica. Essas meninas são formadas, desde cedo, para docilidade, subserviência e subalternidade, e esse tipo de educação leva à opressão da mulher e atenta à sua saúde mental”, explica Gina.
A juíza Jacqueline Machado, que responde pela Coordenadoria da Mulher em MS, coordenou a campanha de arrecadação de livros, e entregues para os professores de 40 sscolas municipais de Campo Grade. A juíza, que também é titular da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar da Capital – a primeira do país especializada em Medidas Protetivas, acompanhada das técnicas da Coordenadoria da Mulher Vanessa Vieira e Sandra Salles, apresentou os aspectos jurídicos e psicossociais da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Foram parceiros da campanha de doação de livros para o projeto Mulheres Inspiradoras, o Tribunal de Contas (TCE/MS), o Sesi, a Associação Campograndese de Professores (ACP), o Hospital El Kadri, a Cassems, o Sistema OCB/MS, a Unimed, a advogada Fernanda Alves e o juiz César de Souza Lima, da 3ª Vara Criminal de Dourados, que destinou recursos da execução penal para a aquisição dos livros.
Conheça – Gina Vieira Ponte nasceu em Ceilândia. Dos 46 anos de idade, 38 deles foram dentro da escola pública: 11 como estudante e 27 como professora.
É graduada em Letras/Português e respectiva literatura pela Universidade Católica de Brasília e mestranda em linguística pela Universidade de Brasília; especialista em educação à distância; desenvolvimento humano, educação e inclusão escolar; e letramentos e práticas interdisciplinares nos anos finais. Atua como professora efetiva da Secretaria de Educação do Distrito Federal desde abril de 1991.
O Projeto Mulheres Inspiradoras não é apenas de um programa inovador, premiado nacional e internacionalmente: é a primeira proposta aplicada em sala de aula e, posteriormente, incorporada pela Educação do Distrito Federal. A ideia tornou-se política pública em abril desse ano. A meta é permitir que, com o tempo, o trabalho alcance um número cada vez maior de instituições de ensino públicas.

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