Theresa May vence votação e continua no cargo de primeira-ministra

G1/JP

A primeira-ministra britânica, Theresa May, fala durante debate sobre moção de desconfiança no Parlamento, em Londres, na quarta-feira (16) (Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Handout via Reuters)

Theresa May venceu de forma apertada a votação de sua moção de desconfiança e continuará no cargo de primeira-ministra britânica. A consulta foi realizada pelo Parlamento na tarde desta quarta-feira (16) e ela teve 325 votos a favor e 306 contra sua continuidade no cargo.

O resultado significa que a maioria do Parlamento confia que May tem capacidade para permanecer liderando o governo. Ela agora continua com a tarefa de negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

A moção de desconfiança foi proposta pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, imediatamente após a rejeição do acordo do Brexit, na terça. A justificativa apresentada foi que, em dois anos de governo, May não conseguiu elaborar uma proposta boa o suficiente para ser aprovada pela maioria no Parlamento.

Após o anúncio do resultado, May disse estar satisfeita por a Câmara dos Representantes ter demonstrado seu apoio ao governo. Ela acrescentou que leva seu dever a sério e que o governo continuará trabalhando para entregar o resultado do Brexit.

A primeira-ministra anunciou ainda uma série de reuniões com líderes do Parlamento, com início esta noite. Ela afirmou que irá promover esses encontros com “espírito construtivo”.

“Estou pronta para trabalhar com qualquer membro desta Casa para entregar o Brexit”, disse.

Corbyn afirmou, porém, que antes de qualquer reunião o governo deve retirar da mesa a perspectiva de um Brexit sem acordo. Ele condicionou o diálogo à remoção dessa possibilidade.

A mesma questão foi abordada pelo líder dos Liberais Democratas, Sir Ed Davey, que afirmou que seu partido está disposto a dialogar, mas que um Brexit sem acordo não deve ser uma opção. Ele também disse que uma extensão do Artigo 50 – que adiaria a data da saída – não deve ser descartada.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, fala durante debate sobre moção de desconfiança no Parlamento, em Londres, na quarta-feira (16) — Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Handout via Reuters
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, fala durante debate sobre moção de desconfiança no Parlamento, em Londres, na quarta-feira (16) (Foto: UK Parliament/Jessica Taylor/Handout via Reuters)

Em dezembro, a primeira-ministra já havia sido alvo de moção semelhante apresentada por seus colegas de partido, o Conservador. Na ocasião, ela venceu a votação interna e foi mantida no cargo.

Nesta quarta, May precisava da maioria de 318 votos para sobreviver. Há 650 deputados na Casa, mas 7 membros do partido nacionalista da Irlanda Sinn Fein não participam, 4 porta-vozes não votam e outros 4 deputados que têm a tarefa de contar os votos também estavam de fora. Restavam 635 deputados para votar.

Ela contou com o apoio do pequeno Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte (DUP), que votou contra o seu acordo na terça-feira, e também com os conservadores que a “traíram” na véspera, mas ficaram ao seu lado desta vez.

Segundo analistas citados pelo jornal americano “New York Times”, estes preferem uma liderança fraca de May à perspectiva de novas eleições que poderiam levar o Partido Trabalhista ao poder. Eles querem substituir o acordo em questão, e não a primeira-ministra.

‘Traidor’

Em seu discurso antes da votação da moção, a primeira-ministra disse que uma eleição nacional – o que poderia acontecer caso ela fosse derrotada – seria a pior coisa que o Reino Unido poderia fazer agora.

Ela criticou duramente o líder do Partido Trabalhista, a quem chamou de “traidor” em relação a tudo o que sua própria legenda defendeu historicamente.

Segundo a agência Efe, a premiê garantiu que o que Corbyn fez ao Partido Trabalhista, que atualmente lidera a oposição britânica com 256 deputados, é uma “tragédia nacional” e acrescentou que o que faria ao Reino Unido, caso se transformasse em seu governante, seria uma “calamidade”.

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