Testemunhas se “escondem” e investigação do caso Goldoni segue a passos lentos

O assassinato do ex-prefeito de Ponta Porã Oscar Goldoni completa um mês nesta quinta-feira (15) e a única certeza até o momento é de que ele foi executado. Quem fez isso e o porque ainda são dúvidas, já que a polícia trabalha com várias hipóteses numa investigação que avança a passos lentos. Os principais motivos apontados pela Polícia Civil para a demora são o medo das pessoas em contar o que sabem e o fato da cidade estar na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Goldoni foi prefeito de Ponta Porã, deputado federal e estadual (Foto: Divulgação)
Goldoni foi prefeito de Ponta Porã, deputado federal e estadual (Foto: Divulgação)

“Não conseguimos descartar muitas coisas das suspeitas existentes e surgiram novas suspeitas. Mas, nada de concreto o suficiente para a gente fechar numa linha só de investigação”, relata o delegado do 2º DP (Distrito Policial) de Ponta Porã, Patrick Linares. Segundo ele, a apuração está evoluindo devagar, chegando a este primeiro mês com fontes e provas novas, além de linhas que não haviam sido ventiladas no calor dos fatos, mas sem conseguir concretizar nada.

Uma das dificuldades citadas pelo delegado que impede que a investigação caminhe mais rapidamente é de ouvir as pessoas, principalmente pelo medo de conversar com a polícia. “As pessoas não colaboram. Há uma cultura na cidade de que homicídio é uma coisa normal. Foram vários do tipo dentro deste mês, antes já vinham acontecendo. Esse chamou a atenção da mídia porque foi com um político, mas outros tem ocorrido aqui de forma espantosa para uma cidade pequena como Ponta Porã”, ressalta.

O delegado pontua que foram procurados familiares, amigos, inimigos e pessoas que moram ou trabalham próximas ao local do crime ou que possam ter visto alguma coisa. Porém, no papel, a quantidade de depoimentos não chega ao de 10 testemunhas. A maioria só quer falar com a polícia “em off”, contar o que “ouviu dizer”, ou seja, não querem prestar declarações ao inquérito oficialmente.

“A gente acaba sabendo de muita coisa, mas não tendo como comprovar muita coisa. Ninguém quer falar nada”, relata.

Ele pontua que há recusa de testemunhas oculares porque não querem aparecer, houve dificuldade em conseguir imagens de câmeras que que registraram o trajeto dos bandidos e muito material só foi fornecido sob sigilo.

Outra questão pontuada por ele que atrapalha o andamento da apuração é o fato de Ponta Porã estar na fronteira. “Não permite a gente quebrar o sigilo telefônico de um celular do Paraguai, por exemplo”, relata. Ele lembra que o uso de telefones e carros paraguaios em crimes é comum na cidade, assim como a fuga para o país vizinho após o ocorrido.

Ele lembra que existe um acordo entre as polícias do Brasil e Paraguai, mas que é “apalavrado”, ou seja, não qualquer tratado firmado ou obrigação dos paraguaios em contribuir com a investigações realizadas no Brasil. “É complicado”, pontuou.

As imagens que a polícia conseguiu de câmeras de segurança que registraram circunstâncias próximas ao crime são analisadas e a polícia traça o caminho feito pelos executores para identificar melhor os suspeitos e até os veículos usados. “Mesmo identificando, a chance deles terem ido para o Paraguai e que não tenham voltado é grande, afinal ninguém ia ficar ‘dando mole’ no Brasil”, pontua o delegado.

Linares lembra que há suspeitos apontados nas mais diversas linhas de investigação adotadas. Porém, nada substancial que possa incriminar de fato qualquer um deles, ou seja, tudo está muito vago pela dificuldade em colher provas. A única certeza é de que o ex-prefeito foi executado, ou seja, não existe a possiblidade dele ter sido alvo de assalto ou algo do tipo, pelas características do crime.

O ASSASSINATO

O ex-prefeito foi assassinado na manhã do dia 15 de setembro (uma terça-feira) com vários disparos de fuzil e pistola calibre 9mm, ao sair de seu veículo, uma Toyota Hilux. O crime foi em frente ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito), localizado no bairro São Domingos.

Goldoni foi prefeito de Ponta Porã, deputado federal e estadual, e se candidatou a uma vaga na Assembleia Legislativa no ano passado pelo PDT, porém, não se elegeu.

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