Testemunha ocular é chave para acusação de homicídio doloso contra PRF que matou Adriano

Lúcio Borges

Adriano Correia do Nascimento (Foto: Facebook)

A cúpula da Polícia Civil (PC) apresentou na manhã desta terça-feira (17), em coletiva de imprensa, o tamanho e a conclusão oficial do inquérito envolvendo o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Sun Moon, que matou o empresário Adriano Correia do Nascimento, no dia 31 de dezembro, em pleno centro de Campo Grande. Como já havia ‘vazado’ e o Página Brazil já noticiou, a policia concluiu por apresentar o inquérito a Justiça, com a acusação de homicídio doloso, com intenção de matar, e, duas tentativas de homicídio contra o PRF. A coletiva não trouxe novidades ao caso, como qual teria sido a real situação que motivou ou provocou o desfecho ao crime, alegado em legitima defesa por Moon. Mas, foi revelado ao Página Brazil, que uma testemunha ocular foi chave para acusação e imputação dos crimes contra o PRF, que está preso, após ter sido solto em menos de 24 horas e retornado a cadeia, pela repercussão social e nova decisão Judicial.

A ‘mesa da PC’, formada por três delegados envolvidos no caso e outros quatro da direção, detalhou como encaminhou a apuração do fato desde sua ocorrência até a conclusão tomada pelo conjunto de autoridades policial envolvidas na decorrência dos fatos. A delegada Daniella Kades, responsável pelo inquérito, explicou a maior parte das apurações, como resume no vídeo abaixo de nossa reportagem. Ela revelou, extra-oficialmente, que as investigações que chegou na conclusão pelas três acusações, contou com uma testemunha ocular identificada pela PC e que foi determinante, entre o processo que contabilizou o depoimento de 15 pessoas.

Delegados/direção PC (Foto: Lúcio Borges)

“Após os registros inciais do caso, que envolveu o delegado Zalla, foi nos passado o processo, onde tivemos o recebimento dos autos já com o indiciado senhor Ricardo Moon. Para dar a continuidade as investigações ou iniciar apuração dentro do indiciamento, tivemos busca por toda área, para delimitar o perímetro e na coleta de todo material, como produtos do crime (capsulas, estilhaços de balas), câmeras de filmagens, localização de testemunhas, feituras e analise de laudos. Em momento seguintes realizamos 20 oitivas com 15 testemunhas diretas ou indiretamente envolvidas no caso. Do total, seis são maiores, entre três que gravaram videos e três que passavam a pé na rua. Uma é ou foi ocular dos fatos, sendo fundamental para concluirmos pelas acusações”, declarou Kades.

A delegada ressaltou que o trabalho da PC foi concluído, dentro de todas as normas e Legislações, e, que “Ricardo Hyun Sun Moon, 47 anos, se ratificado pelo Poder Judiciário, vai responder pelos três crimes, que seguem descritos em relatório do inquérito que já foi entregue a Justiça e ao MPE-MS (Ministério Público Estadual). “Nossa parte foi concluída e damos essa resposta e no pedido concluso da PC pelas acusações. O MPE-MS, a Justiça, é que agora, irão decidir pelo oferecimento ou não da denúncia às instancias para chegar ao julgamento ou inquérito Judicial, a partir deste momento”, disse Kades.

Detalhes

A delegada, que no inicio das investigações gerou polemica, com declarações ‘controversas’, levando até a pedido de seu afastamento do caso, apresentado pela OAB-MS, além do já descrito, detalhou como foi o ‘caminhar’ do processo. Kades apresentou em áudio visual todos os procedimentos, como a localização das testemunhas de períodos antes, durante e depois da ocorrência, onde todas foram ouvidas, para a montagem do caso. “Entre a coleta de testemunhos, estiveram duas pessoas da casa noturna de onde estava Adriano; as três que estavam na rua, no inicio da conturbação; e após localizado e identificado um moto-taxista, que parou no momento da colisão e gravou fatos seguintes; dois prfs que acompanharam o colega; três do velório que saíram na hora; o delegado Zalla e três PMS, que viraram testemunhas após atender o caso no local”, disse.

Delegada em pé apresentando áudio visual do inquérito (Foto: Lúcio Borges)

Kades ainda relatou que “apreendemos câmeras e foi feito toda degravações e analises, como de todos videos publicados pela imprensa e redes sociais. Fizemos todos os laudos e periciais: necroscopia, no veiculo, nos CDs imagens, áudios do Ciops (Bombeiros, PM, Samu), na arma e celulares do autor e da vitima. Buscamos documentos da Santa Casa, bombeiros e Policias Militar e Federal, e por fim a reconstituição do crime, onde reproduzimos as quatro versões: autor, outras duas vitimas e a testemunha ocular. Assim, chegamos a conclusão do homicídio doloso e da dupla tentativa de homicídio”, apresentou a responsável pelo caso.

Policia trabalhou dentro da Lei, dizem delegados

Os delegados da direção da PC e principalmente os envolvidos no caso: Zalla, que estava de plantão na Depac Centro, no momento do crime e atendeu a ocorrência; João Eduardo Davanço, que assumiu plantão e fez a prisão de Ricardo Moon e colheu os primeiros testemunhos, e, Daniela Kades, que assumiu o inquérito, pontuaram que todo o trabalho das Polícias -Militar e Civil – foi dentro dos protocolos e legislação sobre o crime, atuação em serviço e seu desenrolar no dia e até o momento, com o fim do inquérito.

Davanço afirmou que “o trabalho da policia foi todo corretamente, onde se apreendeu a arma, o celular do autor e vitimas, feito interrogatório e não se permitiu que o autor deixasse o local e com autorização da PM foi levado para uma delegacia – 5ª Cia da PM – devido ao tumulto no local e após foi encaminhado e feita a prisão. E o lapso de tempo entre 5h40 – horário do crime –  e às 13 horas – do interrogatório – é regular e dentro da Lei, entre todos os procedimentos técnicos e burocracia. Só para pontuar, o art 306 do CPP (Código de Processo Penal) diz que a autoridade policial tem que encaminhar o custodiado ao juiz de direito em até 24 horas”, pontuou o delegado.

Para Kades, a Policia Civil só trabalha dentro da técnica e que o ato do PRF, pode até ser feito por qualquer popular. “Não tem como não conduzirmos um processo sem um conjunto de provas técnicas. Como agora podemos dizer que o tiro pelo PRF foi a causa determinante do acidente. Já a abordagem ou prisão por ele feita ou se quisesse ter feito, até pode ser feita por qualquer um ‘do povo’, quando há desordem e ameaça a ordem pública e ou individual do cidadão. E ainda, há algumas particularidades, como todo policial (militar, federal) e advogados tem legislação que garante serem acompanhados pela chefia direta ou correlatos, designados, em situações do tipo”, explicou.

Participaram ainda da coletiva a delegada Sidneia Tobias – assessoria de Comunicação da PC; Fabiano Nagata titular da 1ª DPCG (Primeira Delegacia de Polícia de Campo Grande); Matusalém Sotolani da Corregedoria-Geral da Polícia Civil

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