Lançado na Capital teste de vacina contra dengue do governo de SP

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Governador de SP, Geraldo Alckmin, em coletiva a imprensa para falar do teste (Fotos: Lúcio Borges)

A criação de um medicamento contra a Dengue, que vem sendo analisada e pesquisada pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo do estado de São Paulo, chegou em sua fase final de testes, com aplicação da vacina em voluntários. Apesar da pesquisa ser feita no estado paulista, os testes serão feito em várias partes do Brasil, com Campo Grande sendo escolhida a primeira Capital a receber a fase final dos estudos, devido a localização do município e histórico da doença que já atingiu epidemias na cidade e é propensa a todo ciclo anual, a ter repetição ou mesmo novos casos com diferentes vertentes. Como a pesquisa é do Instituto, e para abrir esta nova fase dos trabalhos, o governador de SP, Geraldo Alckmin, esteve na manhã desta quinta-feira (1º) na Capital, para fazer o lançamento dos testes, que atingiram 1,2 mil campo-grandenses.

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e o prefeito Alcides Bernal, receberam o chefe do Executivo paulista na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Bairro Coophavilla II, onde Alckmin explicou a ação (veja vídeo) e lançou os testes com duas pessoas sendo vacinadas por ele, que adiantou que a vacina pode já ser aplicada ‘em massa’, já no próximo ano. A dupla, como outras pessoas voluntárias local, serão acompanhadas pelo Butantan, como pelas autoridades de Saúde de MS, em parte da participação do Estado na Pesquisa. O programa de testes prevê a aplicação das doses nas 1,2 mil pessoas, que serão monitoradas por pelo menos cinco anos.

Alckmin lembrou da importância da pesquisa, agradecendo a participação do Estado, que também já tem levantamentos que podem contribuir com a pesquisa e mesmo adiantar ou dar mais ênfase aos testes, para que o mesmo seja liberado o quanto antes do já programado. “A produção de vacina contra dengue pode chegar a 30 milhões de doses. A expectativa é que as doses sejam aprovadas e comecem a ser produzidas em 2017. “Estamos extremamente otimistas, porque esta poderá ser a primeira vacina tetravalente, dose única, para uma doença tão incidente quanto a dengue”, disse o governador de SP. A 4056b99f-273d-4e4a-88fd-1b7445c49062 (1)vacina pode ajudar 40% da população mundial que vive em região tropical, avaliou Alckmin.

O secretario de Saúde de MS, Nelson Tavares, apontou que receber os testes não é porque somos destaque na doença, mas pela atuação, preocupação de resolver o problema local, que tem maior demanda, que pode servir mais diretamente. “Para nós, é muito bom (receber os testes), pois significa que as autoridades daqui estão em sintonia com as autoridades nacionais de saúde, como a Fio Cruz e o Butantan”, ressaltou o secretário.

Participar, mas continuar com dever de casa

Para o governador Reinaldo Azambuja, a participação do MS é importante no processo, como para destacar o Estado contribuindo fora e que a ação sirva de exemplo interno/pessoal a cada um, pois ele considerou a vacina como um “avanço enorme” e mais uma ação de combate a doença, mas que deve reforçar a atitude de cada cidadão. “Temos que fazer o trabalho de casa. Cuidar da limpeza da cidade e continuar com as outras ações de combate. A dengue é preocupação de todos os Estados, cidades e seus gestores. E cada umf az e ou oferece o que tem. E nós temos feito nossa parte dentro do País, pois daqui pode ir para outro lugar. E agora participando com a estrutura nesta etapa do trabalho de pesquisa. Além da boa vontade e voluntários, que receberam nosso acompanhamento agora e depois”, apontou Azambuja.

A cabeleireira Sinara Oliveira, 33 anos, ressaltou a boa iniciativa e que se fosse convidada ou quando chegar, ela bancará a vacina. “Se me chamassem agora ou quando chegar aqui eu vou tomar com certeza, porque eu mesma peguei dengue este ano”, fala a jovem sobre a vacina, alvo de testes agora, que é a primeira produzida completamente no Brasil. Os testes serão nos mais de mil voluntários que já tiveram ou não a doença. Os pacientes serão supervisionados durante cinco anos e o monitoramento acontecerá por telefone ou agendamento de visitas.

Além de Geraldo Alckmin, o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, e o secretário de Estado de Saúde de São Paulo, o infectologista David Uip, estiveram em Campo Grande para o início dos testes.

TESTES

Mosquito transmissor da dengue (Foto: Ilustração)
Mosquito transmissor da dengue (Foto: Ilustração)

Em Campo Grande, 1,2 mil voluntários serão “cobaias” no teste da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Nesta quinta-feira (1º), foi dada a largada na Capital à terceira e última etapa para a aprovação da produção em larga escala das doses que previnem a doença.

Os voluntários têm entre 18 e 59 anos e são pessoas que já contraíram a doença ou não, mas o Instituto Butantan não divulgou mais detalhes, sobre como foi feita a seleção, por exemplo.

No país – Mais de 17 mil voluntários serão testados, onde do total, um terço recebe um placebo, que é uma espécie de “sósia” do remédio de verdade, mas sem efeito nenhum, e dois terços recebem a vacina propriamente dita. Para garantir a eficácia, nenhum dos grupos sabe qual das duas versões está tomando.

A vacina, produzida com vírus vivos, mas geneticamente enfraquecidos, foi desenvolvida pelo Butantan em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, em inglês). Essa parceria foi firmada em 2008 e a primeira fase dos testes aconteceu fora do Brasil.

São Paulo foi a primeira cidade a receber os testes no país, que também já estão sendo ou serão realizados em outras 11 cidades.

Importada – No início do mês, a vacina contra a dengue produzida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur começou a ser vendida na Capital. As doses custam de R$ 308 a R$ 350 e o tratamento completo cerca de R$ 1 mil.

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