Terreno de novo autódromo em Deodoro é campo minado ativo, diz documento

VEJA/JP

Projeto do autódromo em Deodoro (Foto: Reprodução/Divulgação)

Os planos do presidente Jair Bolsonaro e políticos cariocas de erguer um autódromo no Rio de Janeiro para receber a Fórmula 1 podem sofrer novos entraves. Reportagem desta terça-feira, 10, da Agência Spotlight mostrou, por meio de documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação que o terreno conhecido como ‘Camboatá’, em Deodoro, local escolhido para construção da pista, é um campo minado ativo.

Jornais da década de 50 comprovam que o terreno serviu como paiol de armas e para treinamento militar do Exército no passado e ao menos dois acidentes foram registrados no local em 1958.

A agência teve acesso ao “Relatório Final da Força Tarefa Camboatá”, elaborado pelo 1º Batalhão de Engenharia de Combate'(RJ) e encaminhado ao Comando Militar do Leste, que apontou que 167 000 artefatos e estilhaços de granadas e explosivos foram localizados e neutralizados no imóvel Camboatá durante varreduras em 2014 e 2015.

Há, no entanto, um trecho preocupante, que atesta: “em decorrência de limitação do material e da técnica necessária para execução da tarefa, a varredura não foi realizada em todo o terreno”. A lacuna, portanto, impede assegurar risco zero para o pretendido futuro autódromo, já que centenas de milhares de artefatos foram encontrados nas áreas averiguadas.

A área de 2 milhões de metros quadrados em Deodoro pertencia ao exército e foi para a prefeitura do Rio, tendo passado antes por uma transação de reversão para o Ministério do Esporte, que pagou cerca de 120 milhões de reais, informa a reportagem assinada pelo jornalista Lúcio de Castro. Procurado pela agência Spotlight, o Comando do Exército (CEX) não se pronunciou sobre as denúncias.

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