Tereza Cristina diz que produtor vai respeitar leis ambientais e “perseguição” das multas deve acabar

Michael Franco

Tereza Cristina nos estúdios da Capital 95 FM (Foto: Michael Franco)

A deputada federal por Mato Grosso do Sul, presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM) participou do programa Capital Meio-Dia da rádio Capital 95 FM, na manhã desta sexta-feira (30). Ela falou dos desafios para o comando da pasta e do trabalho de transição. Desde a indicação feita pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), várias polêmicas ideológicas e frequentes embates em relação ao meio ambiente rondam o nome da parlamentar, especulando um privilégio ao setor agropecuário, onerando as outras pastas. Na entrevista, ela esclareceu:

“Na gestão Bolsonaro não terá agricultor privilegiado. Pequeno, médio e grande se houver vai ser para todos. Ele [Bolsonaro] gosta do setor, é um setor que ele acha que foi muito maltratado durante os últimos anos e que, assim mesmo, carregou o Brasil. Nós temos que mudar essa lógica. Não é o produtor ir lá e destruir o meio ambiente, ele vai ter que respeitar as leis, mas ele não pode ser perseguido. No Meio Ambiente, só em cima dos produtores, tem R$ 15,4 bilhões de multa. Então é seguir a lei e não ter perseguição”.

Ela ainda relatou que não esperava ser chamada e muito menos almejava o cargo. Além de não fazer parte do projeto, Tereza Cristina pensava em fazer um mandato diferente, focada também no turismo. No entanto, a FPA foi unânime em indicá-la. “Foi surpresa porque não era um projeta meu para o momento. Nós tivemos uma reunião um dia e meus colegas da Frente Parlamentar Agropecuária e disseram ‘só tem um nome que tem consenso e é o seu’. Aí ponderei que não queria, que queira fazer um mandato diferente, falei que precisava pensar. Mas eles disseram que o não teria que ser do presidente, eles levaram meu nome. E para minha grande surpresa ele anunciou que eu seria a nova ministra imediatamente”.

União de pastas

Faz parte da política de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a redução de ministérios unindo algumas pastas. A parlamentar sul-mato-grossense disse que a tendência vai acontecer também na Agricultura. “Estamos pegando o Ministério da Pesca que virou Secretaria, então nós temos que estruturar toda pesca. Agricultura Familiar que era do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) está vindo para [o ministério da] Agricultura. Estão vindo também todos os programas de distribuição que eram do Ministério do Desenvolvimento Social. O Incra, Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e o Minsitério da Agricultura é enorme”.

Musa do veneno

A discussão do Projeto de Lei 6299/02 que flexibiliza a classificação de risco dos fitossanitários, mediada por Tereza Cristina geou uma série de polêmicas. Ambientalistas temiam prejuízos aos recursos naturais, ao mesmo tempo que uma forte campanha de artistas e sociedade em geral se posicionava contra o PL, até apelidando a parlamentar de ‘musa do veneno’.  Na opinião da futura ministra, ocorreu um mal-entendido acerca do Projeto pois ele facilita o uso dos produtos pelos agricultores, sem prejudicar outras pastas.

“Existe um erro de interpretação sobre a lei. Ela não modifica nada, não põe mais ou menos veneno, não tira nenhum poder da Anvisa de fiscalizar a parte de saúde, não tira nenhum poder do Meio Ambiente de ver se o pesticida vai contaminar”.

Confira toda a entrevista no programa Capital Meio Dia:

CAPITAL MEIO DIA – 30 DE NOVEMBRO

Posted by Capital 95 FM on Friday, November 30, 2018

 

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