Tecnologia de videogame busca simplificar o cotidiano de deficientes visuais

Ainda em fase experimental, um sistema desenvolvido a partir do sensor Xbox Kinect, da Microsoft para jogos de videogame, converte vídeos em informações sonoras para auxiliar deficientes visuais em suas tarefas cotidianas.

O protótipo desenvolvido por pesquisadores da Unicamp tem como suporte um capacete de skate, onde ficam acoplados o sensor Kinect e duas câmeras. Uma das câmeras captura e emite luz infravermelha conferindo valor de profundidade ou distância entre os objetos. Com base nesses dados um algoritmo identifica os objetos e usuários no ambiente.

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O sensor de câmeras registra mudanças de direção da cabeça do usuário. Foto: Eduardo Cesar

O professor do Instituto de Computação da Unicamp e coordenador do projeto, Siome Klein Goldenstein explica que os dados são decodificados por um laptop com alto poder de processamento integrado ao capacete, que retorna a informação ao usuário por meio de áudio.

O áudio é transmitido aos ouvidos pelos ossos do crânio, uma tecnologia chamada de bone conduction. Assim ao invés de utilizar headphones comuns e ficar preso aos feedbacks do sistema, o usuário tem a liberdade de escutar outras fontes sonoras do ambiente.

Vários cenários foram estudados para o uso da tecnologia. Em uma delas, o de detecção e reconhecimento de pessoas em lugares fechados, os pesquisadores criaram um cadastro empregando técnicas de reconhecimento de face. Assim quando o sistema identifica os indivíduos presentes em uma sala ele reproduz um som em módulo 3D para saber a localização espacial exata de cada um.

A pesquisa com áudio 3D foi um capítulo a parte do projeto. Como cada cabeça tem uma anatomia, os ouvidos reagem de forma diferente aos estímulos externos. Assim o equatoriano Felipe Grijalva Arévalo, que conduziu o estudo optou pelo processo de personalização para gerar áudio 3D. “A abordagem mais simples consiste em usar medidas já conhecidas de anatomia da orelha e, a partir daí, traçar um modelo de personalização”, relata Felipe.

Os testes foram feitos inicialmente com pessoas vendadas. Os pesquisadores aguardam a aprovação do comitê de ética da Unicamp para realizar experimentos com deficientes visuais.

com informações da Pesquisa Fapesp

 

 

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