STF nega habeas corpus a preso por golpe com 25 mil vítimas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski negou no fim da semana passada um novo pedido de habeas corpus a um dos homens que é apontado pela Polícia Federal como um dos chefes de um grupo teria aplicado golpes em pelo menos 25 mil pessoas no país, Celso Eder de Araújo. Ele foi preso na operação Ouro de Ofir, desencadeada em novembro do ano passado em Mato Grosso do Sul.

Relógios apreendidos com os suspeitos de chefiarem grupo que aplicava golpes e que foram presos operação Ouro de Ofir, em Campo Grande, MS (Foto: PF/Divulgação)

Esse foi o terceiro pedido de liberdade negado pelo STF. No despacho, o ministro justificou a decisão argumentando que contra o suspeito existem indícios de autoria dos crimes atribuídos a ele e de formação de organização criminosa. Por isso, para assegurar a manutenção da ordem pública, Lewandowski indeferiu o pedido apresentado pela defesa.

No dia 17 de fevereiro deste ano, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), concedeu uma iminar para substituir a prisão preventiva de Araújo e do tio dele, Anderson Araújo (também apontado como outro chefe do grupo), por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica de monitoramento. Entretanto, dois dias depois, o desembargador Luiz Cláudio Bonassini Júnior, relator do processo no tribunal, revogou a decisão e eles retornaram a prisão.

Golpe milionário
A Polícia Federal acredita que o golpe articulado por Celso, Anderson e outro suspeito, Sidinei dos Anjos Peró – esse último aproveitou o sobrenome que é igual ao do delegado Fábio Peró -, para enganar pelo menos 25 mil pessoas no país acontecia há cerca de 10 anos.

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, um dos golpes aplicados era prometer a investidores um retorno milionário com a repatriação de corretagem da venda de ouro de uma fictícia mina de ouro na Bahia.

O outro golpe prometia quantias também milionárias com a liberação de uma antiga Letra do Tesouro Nacional (LTN), mas também mediante pagamento prévio.

O grupo tinha quatro divisões: os líderes, chamados de paymasters; os escriturários, que ficavam encarregados de recrutar os corretores, e estes, que procuravam as vítimas, em redes sociais, grupos de WhatsApp e até em igrejas.

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