Sob forte esquema de segurança, Roberto Carlos vai ao velório de Miele no Rio

Nesta quinta, 15, o cantor foi à Câmara dos Vereadores, no Rio, onde corpo do produtor é velado

Roberto Carlos chegou à Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio, por volta das 13h desta quinta-feira, 15, para o velório de Luiz Carlos Miele.

Um esquema de segurança foi montado especialmente para o cantor, já que a cerimônia é aberta para o público e muitos fãs tentavam chegar perto dele.

A cerimônia, que começou pouco antes das 7h30, aconteça até as 14h. O enterro será realizado no cemitério do Caju, Zona Portuária do Rio de Janeiro, a partir das 16h.

Roberto Carlos abraça Anita, mulher de Miele, no velório do produtor e ator (Foto: EGO)
Roberto Carlos abraça Anita, mulher de Miele, no velório do produtor e ator (Foto: EGO)

Roberto ficou o tempo todo ao lado de Anita, mulher de Miele, que permaneceu ao lado do caixão. Ela disse para o cantor: “Queria ter morrido primeiro”. Roberto Carlos respondeu: “Mas ele iria sofrer muito”. Uma amiga ainda completou: “Você é mais forte”.

Ao EGO, o cantor falou sobre o amigo: “Ele significou muito. Miele foi o primeiro produtor que eu tive. Produziu um grande show meu com grande produção, com grande orquestra, no Canecão. O primeiro show que fiz com tanta produção foi o show com direção dele e do Bosco. E daí nós ficamos amigos. Ele continuou fazendo várias produções para mim e ficou a grande amizade que nós tivemos. Há 11 anos ele tem estado no nosso navio, no cruzeiro, representando o karokê e fazendo show também. E cada vez mais a gente era amigo”, lembrou

“Miele é um homem muito especial. Um artista de talento, um homem de muitas ideias e um grande amigo. Vou sentir muita falta dele”, lamentou Roberto Carlos. “Miele é um irmão para mim, vai fazer muita falta. Vou sentir muita saudade dele”.

Roberto ficou cerca de 40 minutos no local e saiu pela portal lateral. Seguranças tentavam conter a confusão, já que muitos fãs acompanhavam o cantor.

Velório marcado pela emoção

O velório foi marcado pela emoção. A viúva Anita, que chegou ao local por volta das 10h, estava muito abalada. Enquanto acariciava o rosto do marido, chorava e mostrava sua dor, dizendo: “Ai, meu Deus do céu”.

Professora do produtor musical, ator e diretor em 2014 no quadro “Dança dos Famosos”, do programa “Domingão do Faustão”, Aline Riscado foi a primeira a chegar no velório.

“Foi uma pessoa que passou rápido pela minha vida, mas que sei que tinha um carinho muito grande por mim assim como tinha por ele. Agora quero que ele descanse em paz e desejo muita força para a família. Vim hoje só fazer uma oração. Para os que ficam é muito difícil. Ele falava muito sobre a Anita, eles eram muito grudados, vai ser muito difícil para ela. Agora o que fica são as lembranças boas”, disse ela ao EGO.

Osmar Prado também esteve no velório e, ao chegar, cumprimentou Eliana, irmã de Miele. Depois, o ator se sentou na área destinada à família do produtor musical.

“Nós eramos vizinhos e somos colegas.Fui até contemporâneo da Dona Regina Macedo (mãe de Miele)na década de 60, quando comecei a trabalhar no canal 5. Na verdade, muito recentemente a gente começou a ser vizinho. Sempre tentávamos marcar um encontro, mas nunca acontecia. Iria acontecer agora, mas ele deu uma rasteira em todos nós e foi-se embora. Quer saber de uma coisa? Vejo o Miele como um animador cultural fantástico, cantor, compositor. Tenho a impressão de que esteja onde estiver, ele deve estar ao lado da Dona Regina, do pessoal todo da música e de todos os artistas que recentemente partiram”, comentou Osmar.

‘Ele tinha medo da morte’, diz irmã de Miele’

Muito abalada, Eliana falou sobre a morte do irmão: “Antes de ser Miele, ele era Lelê, depois Luiz Carlos. Ele era meu irmão, meu amigo, meu companheiro, meu chão, meu esteio. Ele era nosso homem grande e o grande homem da família. Ninguém esperava, mas ele foi do jeito que tinha que ser, que precisava ser, sereno. Com ele não se podia falar na morte, ele tinha medo”, contou ela.

Vânia Barbosa, assessora e empresária de Miele, falou com carinho do amigo. “Trabalhei com ele por uns 15 anos. Ele era divertidíssimo. Só tenho a agradecer por ter me permitido estar na vida dele durante esses anos e me ensinado tanta coisa. Ele foi uma das pessoas de melhor caráter que conheci na minha vida”, afirmou ela, contando que esteve com Miele na última terça, 13: “Foi uma supresa para todos nós. Ele não tinha problema de coração. Tinha asma, mas não seria o caso porque usava bombinha. Fiquei com ele na terça até as 15h30. À noite, ele foi jantar com a esposa e amigos. Passou a noite e, de manhã, a esposa já o encontrou sem vida no escritório”.

O musicólogo Ricardo Cravo Albim também chegou ao velório logo pela manhã e contou que teve a chance de conversar com Miele às vésperas de sua morte: “Anteontem à noite eu liguei para ele e disse que tinha lido a sua biografia. ‘Li a sua biografia e você pode se candidatar à Academia Carioca de Letras porque você é um escritor, um personagem do Rio, é a carioquice’. Ele respondeu: ‘Não vou porque primeiro não sou carioca, sou de São Paulo. E, segundo, porque já sou imortal'”.

‘Miele é um monumento’, diz Fernanda Torres’

O cantor Simoninha falou sobre a falta que Miele vai fazer no cenário cultural. “Ele vai deixar muita saudade. Sempre que se perde um personagem desse tamanho, é lógico que a cultura fica triste. É difícil você ter gênios dessa magnitude”, afirmou ele.

Entre as pessoas próximas a Miele estava Christiane de Magalhães, filha de uma ex-empregada do produtor musical. Ela fez questão de ir ao velório para dar seu apoio à família. “Estou aqui representando o amor e o carinho que o Miele deu à minha mãe e a mim também. Ele representou uma pessoa muito humana, que nunca vou esquecer. Ele reconheceu o que minha mãe fez, a ajudou quando ela adoeceu, arcou com todas as despesas do hospital e ainda pagou o enterro”, contou ela.

Antônio Pitanga homenageou Miele ao falar do produtor. “Ele foi uma das pessoas mais elegantes, era o grande anfitrião desse movimento da Bossa Nova, da música popular brasileira. Grandes artistas vieram pelas mãos dele”, disse o ator. “Ele tinha esse carisma e essa beleza pela vida. Pintou a vida, fez da vida uma tela. Esse é o nosso grande Luiz Carlos Miele. A matéria se vai, mas a memória é eterna. Ele cumpriu a sua missão”, completou.

Ao chegar no velório, Fernanda Torres logo se dirigiu à viúva de Miele e a consolou diante do caixão do produtor musical. Emocionada, falou sobre a relação entre eles: “Miele é um amigo maravilhoso. A gente se falou há pouco tempo. Ele ia lançar a biografia, me ligou para convidar. Eu disse que ia viajar, falei que ia ver o show dele e que a gente se encontraria. Ele virou um amigo, diversas passagens do meu livro eu devo a ele. Miele é um monumento. Eu cresci vendo Miele e depois Deus me deu a chance de ficar amiga dele. Deus não chateou o Miele. Ele viveu até o talo sem que Deus cobrasse a conta. Cobrou assim, de uma vez só”.

Quem também demonstrou seu carinho a Anita foi Mariana Ximenes, que passou um tempo ao lado da viúva durante o velório. A atriz falou sobre os trabalhos que fez ao lado de Miele. “Nos conhecemos há muitos anos, mas estreitamos laços quando filmamos juntos ‘Os penetras’. Tínhamos acabado de gravar juntos um longa chamado “Depois de você”, em Brasília, em junho. Fui na casa dele uma vez, conheci a família. É uma perda muito grande, para a cultura e para o nosso convívio. Ele era uma pessoa deliciosa. Muito especial, que tinha gosto pela vida”, contou.

O cineasta Luiz Carlos Barreto chegou ao velório acompanhando da mulher, Lucy Barreto, e lembrou de momentos passados ao lado de Miele. “As maiores alegrias são os momentos das peladas. Miele tratava bem a bola, tinha carinho por ela. Podia ter sido um grande jogador de futebol, dançava muito bem também”, contou Barreto, citando também a versatilidade do amigo. “Nós o chamamos pra fazer ‘A estrela sobe’ e ele falou ‘É uma ponta ou papel principal?’. Antes falava-se em showman, mas hoje se diz um homem multimídia. Ele tinha um humor excepcional. Miele teve a morte que merecia. Morreu na paz, sem agonia. Miele sempre foi uma pessoa do nosso convívio íntimo. Ele e Anita”.

Os atores Chandelly Braz e Humberto Carrão foram se despedir de Miele. Eles trabalharam juntos na novela “Geração Brasil”, no ano passado. “Foi uma grande alegria quando a gente ficou sabendo que ia trabalhar com ele, uma pessoa que carrega tanta história. Ele tinha o maior prazer em contar tudo o que fez”, lembrou Humberto. “Fica o bom humor dele e esse hábito que ele tinha de contar suas histórias. A gente tinha toda atenção do mundo quando ele falava”, completou Chandelly.

Miele será homenageado em show sobre a Bossa Nova

Entre os amigos famosos também estava Lúcio Mauro Filho. O ator contou que, no próximo fim de semana, Miele iria participar do show de bossa nova que ele apresenta ao lado de Celso Fonseca no Teatro Café Pequeno, no Rio. “Agora vamos ter que fazer sem ele, mas já tem uma homenagem pronta. Tem uma cena toda dedicada ao Miele, com a música ‘Over the rainbow’. A gente nunca poderia imaginar que ele realmente estaria agora… Vai ser bonito”, disse Lúcio.

Miele morreu em casa, no Rio

Luiz Carlos Miele morreu na quarta-feira, aos 77 anos, em sua casa, no bairro de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele teve um mal súbito e foi encontrado caído no chão do escritório da residência por sua mulher, Anita, com quem estava casado havia 50 anos.

Ela ainda ligou para o Corpo de Bombeiros, mas, quando os agentes chegaram, o produtor já estava morto. Muito abalada, Anita ainda não falou com a imprensa sobre o assunto. “Ela está destruída. Foram 50 anos de casamento… Anita não tem condições de falar”, informou a assessora de imprensa de Miele.

Luto na classe artística

Miele era muito querido na classe artística e alguns famosos usaram as redes sociais para lamentar a morte. Em sua conta no Instagram, Roberto Carlos relembrou a amizade com Miele.

“Ele, junto com Ronaldo Bôscoli, são os responsáveis pelo primeiro show com grande produção e grande orquestra que eu fiz, e isso foi no Canecão. Algo muito importante na minha carreira”, contou.

“Por 11 anos, Miele esteve comigo no navio, fazendo seu show e comandando o karaokê, sempre com muito talento, muita simpatia e muita alegria. Um profissional super competente. Era um cara muito bacana, um amigo querido, um irmão. Que nosso Deus de bondade o proteja e o abençoe sempre”.

EGO

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