Site terá que indenizar Campo-grandense por compra no Amapá em seu nome

Lúcio Borges

A campo-grandense A.W. ganhou ação judicial que entrou há anos, contra um site de compras, que não teve nome liberado, por a ter envolvido em venda falsa em seu nome. Apesar de não termos nome da empresa pela internet, o caso serve de exemplo na busca por honra e indenizações após cidadã ser envolvida e ter prejuízos morais e materiais em irregularidade que não cometeu. A empresa ainda recorria de já sentença condenatória, mas nesta sexta-feira (12), perdeu causa em segunda instancia no TJ-MS (Tribunal de Justiça de MS), onde se ratificou que o site deverá pagar uma boa indenização a mulher, que foi colocada como vendedora.
A decisão é dos desembargadores da 2ª Câmara Cível, por unanimidade, negaram provimento a recurso do site de compras que pretendia a reforma da sentença de primeiro grau. Já anterior, juizado havia posto condenação para o site declarar inexistente o cadastro em nome de A.W. junto ao sítio eletrônico e a pagar indenização de R$ 10.818,00 por danos materiais e R$ 10.000,00 por danos morais.
Conforme processo, um consumidor aleatório adquiriu no site de compras dois celulares, no valor de R$ 560,00 e, por não receber, a mercadoria ajuizou ação contra o site e A.W. em sua cidade de origem, município de Macapá, no estado do Amapá, região norte do Brasil. A campo-grandense A.W., seria suposta vendedora, mas a mesma só descobriu que era parte no processo ao ser intimada em Campo Grande (MS) para comparecer em audiência. Para evitar a revelia, deslocou-se até Macapá.
De acordo com o processo, A.W. não possuía conta no site, não realizou nenhuma venda e registrou um boletim de ocorrência atribuindo culpa ao site por não ter adotado os devidos cuidados ao efetuar os cadastros em seu sítio eletrônico.
Ainda teve que recorrer do que não fez
A.W. ainda teve que recorrer do que não fez, sendo que em juízo singular, solicitou a exclusão de qualquer cadastro em seu nome, além de indenização pelos danos materiais referentes aos gastos com a viagem à Macapá (AP) e danos morais.
O site apontou sua ilegitimidade passiva, alegando que a compra discutida na ação não é proveniente de anúncio em seu sítio eletrônico, não havendo nexo de causalidade, pois a venda não ocorreu em seu ambiente virtual, não devendo ser configurado danos morais e nem materiais. Requereu a reforma da sentença.
Para o Des. Fernando Mauro Moreira Marinho, relator do processo, o site que realiza a divulgação de produtos de determinado vendedor a si vinculado, integra a cadeia de consumo e deve responder pela falha na prestação do serviço. Para o desembargador, caracteriza falha na prestação dos serviços o cadastro fraudulento no site da requerida em nome da autora para a realização de vendas dolosas.
“Comprovado o ato ilícito praticado, impõe-se o dever de o causador indenizar os danos materiais havidos em razão da necessidade de se deslocar a outro estado da federação para se defender de processo originado em razão da fraude ocorrida no site. Além disso, o dano moral caracteriza-se, em regra, pela violação aos direitos da personalidade, sendo a dor, humilhação, angústia ou sofrimento em si do indivíduo meras consequências da violação a um bem jurídico tutelado”, escreveu em seu voto.
Sentença
Sobre a alegação do site de que a venda foi realizada em ambiente virtual diverso do sítio eletrônico, o relator afirmou que a alegação não se sustenta, vez que na própria petição inicial da ação, o consumidor narrou que encontrou o vendedor no site de compras, tendo realizado a transação via email.
“Desta forma, malgrado a negociação não tenha sido realizada no site apelante, foi ele que intermediou o encontro do comprador com o vendedor, não havendo como excluir sua responsabilidade. Irreparável a conclusão adotada pelo juízo de piso, em reconhecer os danos materiais efetivamente comprovados, e os danos morais, devidos quando a parte é atingida em seus direitos da personalidade, não se confundindo com meros aborrecimentos decorrentes de prejuízo material. Posto isso, nego provimento ao recurso”.

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