Sinpol termina protesto “acampados”, mas continuará em briga por reajuste salarial

Lúcio Borges

O Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de MS), neste sábado (15) decidiu finalizar parte do movimento de protesto reivindicatório por reajuste salarial, que iniciou há 40 dias, como Página Brazil noticiou, em vigília montada sob acampamento na porta da sede do Governo do Estado. Hoje, apesar de avisar que continua em briga por um aumento e real dos salários, a categoria decidiu em assembleia desmontar temporariamente o acampamento feito em frente a Governadoria, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. A categoria está desde 2 de junho, em mobilizações para reivindicar aumento salarial para categoria, como a todos servidores públicos do estado, que ganharam da atual gestão 2,94% de reajuste em 2017, ante até o que não vinha ocorrendo há dois anos. Entre as duas principais solicitações do Sinpol estão a reposição de 9,94% e também mudanças no modelo que permite a promoção dos policiais.

O presidente do sindicato, Giancarlo Miranda, disse que a categoria discutiu hoje e apontou que resolveu suspender o acampamento, temporariamente, para demonstrar boa vontade e retomar a negociação salarial com o Executivo Estadual, sem demonstrar ‘baixa de guarda’ nas reivindicações, ante até o que se tentou desmobilizar a ação e houve um certo desacreditamento, como publicamos que o movimento “perdia mobilização após uma semana”, mas que foi além de um mês, com pelo menos 100 policiais passando pela manifestação, mesmo sob ameaças, diferença no clima (frio e chuva) e feriados.  “É um gesto de boa vontade que teremos com o governo para que cumpra o acordo e retome às negociações”, disse Miranda sobre os 2,94% e mais 7%, a partir do mês de agosto, em percentual que já era previsto em lei criada ainda na gestão do ex-governador André Puccinelli em 2014.

Contudo, sobre o então percentual dado pelo Governo, é de que os servidores rejeitaram somente o índice de 2,94% de acréscimo salarial proposto. Ao recusarem a proposta, em assembleia na segunda-feira (10), os funcionários deram prazo até 25 de julho para novo acordo com o governo. O Estado conta com 70 mil servidores e uma folha de pagamento mensal bruta que gira em torno de R$ 400 milhões. O governo alega dificuldades financeiras, afirmando que não tem condição de conceder reajuste além dos 2,94%.

A atual gestão recuou na principal reivindicação do Sinpol, que representa 2,1 mil em atividade -, que quer mais um aumento de 2,94%, que representa a reposição inflacionária. “Suspender o acampamento não quer dizer que o movimento tenha sido desmobilizado. Pelo contrário, se essa reposição não for anunciada pelo governo vamos promover manifestos mais incisivos. Se não acampássemos nem sequer o aumento já garantido por lei (7%) tínhamos conseguido”, disse o presidente do Sinpol, que mencionou ainda, que uma das medidas estudadas pela entidade, é a de montar acampamento em frente ao prédio onde mora o governador Reinaldo Azambuja, no Jardim dos Estados.
PROMOÇÃO

Hoje, o policial ou a policial que ingressa na categoria recebe salário de R$ 3.888,00 e é inserido na 3ª Classe, nível 1. Daí em diante, para o policial – investigador ou escrivão – alcançar o nível máximo da escala promocional, precisa subir ao menos 11 degraus, que transitam entre a 3ª Classe, 2ª Classe, até a Classe Especial, cujo salário gira em torno de R$ 8 mil.

O Sinpol queixa-se, ainda, da diferença de salário se comparado o de um investigador, por exemplo, com a remuneração de um delegado da Polícia Civil começo de carreira. “Para conquistar a Classe Especial, por exemplo, o policial precisa se dedicar ao cargo por ao menos três décadas e se aposentar com salário de R$ 8 mil, perto da metade da remuneração de um delegado, que é de R$ 14 mil”, diz Miranda.

A promoção assim é distribuída pela regra atual: 80% por antiguidade, o conhecido tempo de serviço; e 20%, por merecimento. O sindicato quer que o projeto da promoção seja remodelado e que o impulso profissional seja aplicado aos policiais que estiverem, por exemplo, com os cursos ofertados à categoria, em dia.

Todos os anos, segundo o sindicato, é preparado uma relação dos policiais com direito à promoção, contudo nem todos são contemplados. Na proposta do Sinpol, que mantém os 80%, por antiguidade, e 20% por merecimento, se o nome do policial, por três anos seguidos, aparecer na lista, deve ser promovido automaticamente.

O governo concordou com o propósito, contudo, pediu tempo de 90 dias para mandar o plano para a aprovação da Assembleia. “O projeto está pronto e vamos dar prazo de um mês para o governo encaminhar a ideia”, disse o presidente.

A assembleia dos policiais, realizada na sede do sindicato, situada aos arredores do Conjunto José Abrão, reuniu em torno de 300 pessoas. À tarde, a categoria seguiu para frente da governadoria, onde desmontou o acampamento, plantou uma árvore e cantou os hinos da Polícia Civil e nacional.

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