Servidores rejeitam abono de R$ 200 e aprovam indicativo de greve

Os servidores públicos de Mato Grosso do Sul rejeitaram a proposta do governo do Estado de abono de R$ 200,00 e aprovaram indicativo de greve geral a partir do dia 2 de maio, se as negociações não avançarem.

Foto Paulo Francis
Foto Paulo Francis

Os militares presentes também foram favoráveis à paralisação e também estão de sobreaviso para realizarem aquartelamento no mesmo dia. A estimativa da Polícia Militar, que estava no local para orientar o trânsito, é de que 450 pessoas participaram da assembleia.

A reunião aconteceu na frente do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública, na rua Sete de Setembro, no Centro de Campo Grande, esquina com a Rui Barbosa. O trecho foi interditado para o trânsito de veículos.

A votação foi encerrada por volta das 10h00 e, na sequência, os servidores fizeram passeata passando pelas ruas Rui Barbosa, Dom Aquino até chegarem à Praça Ary Coelho, onde nova concentração deve acontecer até o final desta manhã.

A assembleia geral foi organizada pelo Fórum dos Servidores, que congrega 22 sindicatos. “De acordo com os dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os servidores deveriam ter 16,14% de reajuste”, defendeu Ricardo Bueno, presidente do Conselho Estadual de Saúde de MS e dirigente do Sindicato da Seguridade Social (Sintss-MS).

Os deputados estaduais Coronel David (PSC) e Cabo Almi (PT) participaram da assembleia e manifestaram apoio à demanda. “Estou do lado da categoria e vou estimular as negociações com o governo”, disse David, recém empossado com o licenciamento de Barbosinha para a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.

GOVERNO

Nessa semana, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), disse que o abono de R$ 200,00 representa um aumento de 10% para 70% do funcionalismo estadual e que seria o valor que o Estado poderia oferecer no momento, considerando a situação da crise econômica que o País estaria enfrentando e o cumprimento da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que condiciona o gasto com a folha de pagamento com a receita estadual.

NOTA

Às vésperas da assembleia, o governo do Estado divulgou nota para informar que não tem condições financeiras de oferecer aumento além do abono.

“O índice de aumento proposto, reconhece o governo, não é aquele que os servidores merecem. Mas a situação financeira do Estado exige total responsabilidade por parte dos gestores. Só assim o governo vai conseguir honrar o compromisso de pagar os salários rigorosamente em dia, sem nenhum atraso”, informou o documento.

Ao apresentar o cenário da máquina pública, o Executivo alegou que em 2015 conseguiu fazer economia de cerca de R$ 800 milhões, ao cortar 20% dos cargos comissionados, renegociar contratos e reduzir secretarias.

“Com os recursos dos depósitos judiciais que entraram nos cofres do Estado, de R$ 1,4 bilhão, o governo fechou o ano passado com um superávit da ordem de R$ 500 milhões. Entretanto, por exigência da lei, tivemos que usar este recurso que sobrou para pagar uma parte da dívida do governo com a União. Ao final de dezembro, portanto, os cofres estavam vazios”, garantiu a nota.

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