Seleção de futsal inicia Mundial com uma dúvida: ser hexa ou octa?

Foto: Luis Domingues/CBFS
Foto: Luis Domingues/CBFS

A seleção brasileira de futsal começa na noite deste domingo (11) na Colômbia a busca por mais um título mundial. Mas, há uma pergunta no ar. O que de fato estará em jogo para o time nacional a partir do jogo de amanhã com a Ucrânia? O hexa ou octacampeonato?  As duas respostas estão certas, mas remetem a uma polêmica que começou no século passado e se acentuou há quatro anos na Tailândia quando a Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) correu o risco de ser punida pela Fifa por exibir no símbolo uma quantidade incorreta de estrelas segundo a visão da entidade que gere o futebol de campo no planeta e também passou a ter o futsal no comando.

Isso ocorre pois a Fifa começou a organizar a sua Copa do Mundo apenas a partir do ano de 1989, na Holanda. Desde então, o Brasil conquistou cinco títulos. Além da edição inicial, ficou com a taça também em 1992, 1996, 2008 e 2012. Dessa forma “oficial”, o país é pentacampeão da competição.

Porém, antes de a Fifa assumir o controle da modalidade, os únicos torneios em nível global eram organizados pela Fifusa (Federação Internacional de Futsal). A seleção ganhou os Mundiais de 1982 e 1985 e por isso possui sete no cômputo geral.

Hoje, a Fifusa – que mudou de nome para Associação Mundial de Futsal (AMF) – ainda possui a sua competição internacional, mas ela é desvalorizada e não é mais considerada um Mundial de fato. Inclusive, há regras diferentes.

Símbolo que o Brasil adotou no ano passado e será usado no Mundial

É por causa desta divergência entre Fifa e AMF que a CBFS não coloca sete estrelas em cima do distintivo. No guia de imprensa distribuído aos jornalistas que cobrem a Copa do Mundo na Colômbia, a entidade brasileira só faz menção ao pentacampeonato para evitar o impasse ocorrido em 2012.

 

Naquela ocasião, quando ainda era hexa, o Brasil queria jogar com seis estrelas na camisa. Porém antes da Copa do Mundo a Fifa vetou a utilização. A CBFS ameaçou se retirar da disputa, o que acabou não acontecendo. Porém, como não houve tempo hábil para confeccionar nos uniformes após o primeiro jogo, foi feita uma gambiarra no símbolo com um esparadrapo cobrindo as duas estrelas.

Esclarecendo

“A Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) vem a público informar que de maneira surpreendente recebeu comunicado da FIFA determinando a exclusão de duas estrelas contidas em seus uniformes alusivas às conquistas de dois certames mundiais promovidos pela Federação Internacional de Futebol de Salão (Fifusa), antes de a FIFA assumir os destinos da modalidade. Vale ressaltar que no Campeonato Mundial, realizado no Brasil, em 2008, o nosso selecionado atuou ostentando cinco estrelas sem qualquer questionamento. Acatando como sempre as determinações emanadas da Fifa, já retiramos as duas estrelas da nossa camisa”, informou na época por meio de uma nota oficiala CBFS.

Em seus release da imprensa, a CBFS sempre faz uma ressalva e diz que na Colômbia “o Brasil vai em busca do oitavo título mundial – o sexto com o torneio sendo organizado pela Fifa”.

E apesar de o símbolo não ter sete estrelas na parte superior, os dois títulos da Fifusa estão no distintivo, porém na parte interna e na cor branca. O novo brasão foi criado em novembro do ano passado.

Segundo o departamento de marketing da CBFS, o símbolo foi feito de acordo com alguns elementos que compõem a história do futsal nacional. Dentre elas estão: 1979 – ano de fundação da CBFS; cinco estrelas superiores representando os cinco títulos mundiais reconhecidos pela Fifa; duas estrelas dentro do brasão representando dois títulos mundiais da época da Fifusa.

Brasil chega para torneio com sete remanescentes de 2012

Falcão durantre treino da seleção na Colômbia (Foto: Luis Domigues/CBFS)

A seleção que jogará esta Copa do Mundo contará com sete jogadores que estiveram presentes na vitória por 3 a 2 sobre a Espanha na final de 2012 contra a Espanha. São eles: os goleiros Guitta e Tiago, Ari, Fernandinho, Rodriguinho, Jé e Falcão. Os outros sete são estreantes. “Sempre é importante manter uma base de 40% a 50% em relação ao último Mundial. Isso é importante e faz a diferença, pois temos uma base experiente para ajudar estes atletas mais novos”, afirmou o ala Falcão, que aos 39 anos vai para a sua quinta Copa do Mundo. Ele estreou em 2000, na Guatemala. Em 30 partidas, já anotou 38 gols.

Para o astro da equipe nacional, a Espanha e a Rússia tendem a ser principais adversárias na disputa pela taça.

“Estas duas seleções estão um passinho acima. Depois vem um grupo com Portugal, Itália, Argentina e Colômbia. Cazaquistão e Irã podem aparecer como surpresas”, analisou.

Falcão afirmou ainda que neste momento devem ser deixados de lado os problemas em que esteve envolvida a CBFS. Desde 2012, a entidade sofreu com a perda de seu principal patrocinador, os Correios; teve três presidentes (Aécio Vasconcelos, Renan Tavares e o atual, Marcos Madeira); quatro técnicos passaram pelo comando da seleção (Marcos Sorato, Ney Pereira, PC de Oliveira e o atual, Serginho) e diversos atletas – inclusive o próprio Falcão – chegaram a boicotar o time nacional por conta de problemas na administração
“Todos os ciclos de uma maneira ou de outra foram conturbados. Claro que neste foram mais. Mas nos últimos 15, 20 dias nos fechamos. Chegaremos prontos para vencer independentemente de qualquer coisa”, disse.
“No atual momento a Confederação está sem patrocínio por culpa dela própria. E claro que aí sem dinheiro sempre vai faltar alguma coisa seja na parte financeira ou de estrutura. Mas dentro das possibilidades, estão cumprindo com tudo que foi prometido”, afirmou.
Com Portal Uol Esportes

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