Secretário defende estruturação da Saúde no Interior e implementação do sistema de OSs

Em entrevista ao Programa Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brazil, o secretário estadual de Saúde, Nelson Tavares, afirmou que a estratégia do estado para o setor é “nosso foco é basicamente estrutural em todo estado, principalmente no Interior, para desafogar à Capital”.

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Nelson Tavares explicou como deve funcionar a proposta do governo do Estado de implementação da gestão das unidades hospitalares através do sistema de OSs Foto Kerolyn Araújo

Estrutura – “Algumas medidas de emergência, principalmente na alta-complexidade da urgência, que se resume em leitos de terapia intensiva e traumatologia, temos um projeto para 52 leitos aqui. Já abrimos 20 e outros estão atrasados por conta da greve do Hospital Universitário (serão 22 leitos lá) e os 10 leitos da Santa Casa, que esperamos uma resposta da instituição. Estamos também no convênio com o Hospital do Câncer [Alfredo Abrão] para colocarmos dois dois andares em funcionamento no curto prazo.

De acordo com o secretário, “o governo do Estado pretende iniciar ainda neste mês algo inédito em MS: cirurgias eletivas de alta-complexidade para pessoas que estão esperando por vezes há décadas, algumas delas, cirurgias de coluna, fêmur e próteses. Temos ainda um convênio com o Hospital São Julião, com um serviço que é exemplo para o Brasil no tratamento de pacientes de cuidado intensivo multidiciplinar, que está sendo reproduzido em outros estados. Esperamos que no curto prazo nós possamos realizar esses serviços com impactos imediatos para a população da Capital”.

OSs na gerência de unidades médicas – Nelson Tavares explicou ainda como deve funcionar a proposta do governo do Estado de implementação da gestão das unidades hospitalares através do sistema de OSs (Organizações Sociais). “A Organização Social é uma experiência consagrada há décadas no Exterior em que aproveita-se à expertise da iniciativa privada à disposição do poder público, que continua sendo o gestor, o dono do Hospital, mas que oferece para a iniciativa privada que faça a gerência, com toda a competência, agilidade e espírito de filantropia”.

Para o secretário “a maior queixa que existe em relação à esses hospital, cerca de 90% deles, nós fizemos um levantamento no setor sindical que se sente prejudicado, mas os servidores públicos ficam muito satisfeitos, porque a maior expectativa que eles têm é prestar um bom serviço”.

Nelson Tavares fez uma distinção entre as OSs e unidades médicas mantidas por instituições filantrópicas, como a Santa Casa de Campo Grande: “Esses hospitais recebem os recursos e têm 100% do controle, da adminstração do que fazer com esses recursos. Nas OSs não: elas têm uma administração ágil, como na iniciativa privada, mas são 100% vinculadas ao poder público, prestando contas diariamente inclusive, de metas, qualidade e volume do atendimento. Ao invés de privatizar, nós aproximamos mais da administração do poder público”.

OSs no Interior do Estado – Para a implementação do sistema no Interior do Estado, o secretário anunciou “um esforço inicial nos hospitais regionais, em 11 microrregiões. O trabalho deve ser iniciado por Ponta Porã, Aquidauana, Corumbá e Dourados. Os primeiros hospitais que nós temos interesse de negociar uma gestão compartilhada. Os municípios precisam ter interesse nisso, é fundamental. A gestão hoje é desses municípios e o Estado passaria a ter a gestão, passando a gerência para uma organização social”, explicou.

Servidores públicos – Sobre o temor que o sistema venha a criar problemas para servidores públicos nessas unidades médicas, o secretário afirmou que o Estado fez uma negociação prévia com as bancadas estadual, com os vereadores, com Tribunal de Justiça, com sindicato de servidores envolvidos, ampliamos a lei que já existe há décadas para garantir que os servidores não serão prejudicados, pelo contrário, isso vai ser uma grande satisfação para eles.”

Silvio Ferreira

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