Secretaria de Saúde vai potencializar diagnóstico da Hepatite C em campanha da gripe

Da Redação/JP

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Durante a Campanha de Vacinação contra Influenza deste ano será oferecido o teste rápido para diagnosticar pessoas com hepatite C em pacientes com mais de 40 anos que forem se vacinar na UBS Tiradentes e no Trailer instalado na Praça Ary Coelho, entre os dias 28 e 30 de abril e 5 e 6 de maio. O serviço de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/AIDS) da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) de Campo Grande vai apoiar e contribuir para que seja atingida meta de 3 mil testes realizados nesse período.

Campo Grande foi escolhida com mais seis cidades brasileiras para participar do projeto piloto da pesquisa organizada pela médica infectologista Andréia Lindenberg, que tem por objetivo oferecer uma janela de oportunidade por meio de um método rápido e simples de diagnosticar a hepatite C. A reunião que definiu os detalhes da ação aconteceu na manhã desta quarta-feira (04).

A doença é silenciosa e pode ficar anos sem manifestar sintomas, podendo evoluir para câncer, cirrose e até levar à morte. Até 1993, não havia teste para a detecção da Hepatite C e muitas pessoas foram infectadas por transfusão de sangue e compartilhamento de material para injeção. Por isso, recomenda-se o teste para pessoas a partir dos 40 anos. O procedimento pode ser feito nas unidades básicas de saúde.

A pesquisadora Andréia Lindenberg explica que “Campo Grande foi escolhida por oferecer um serviço estruturado para diagnosticar e tratar pessoas com Hepatite C”. Ela ressalta ainda que “durante a Campanha de Vacinação contra a Influenza estaremos ampliando o acesso e indo até onde há grande procura pela vacina por pessoas acima de 40 anos”.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Sesau, Mariah Barros, afirma que é “uma ótima oportunidade para a população que estiver dentro do público elegível aproveitar para tomar a vacina e verificar a condição sorológica para Hepatite C”.

A coordenadora do Programa IST/AIDS, Denise Leite Lima, garante “o apoio necessário para o desenvolvimento da pesquisa, pois temos o interesse que mais pessoas sejam diagnosticas, tratadas e curadas”.

A doença
A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV) e assim como o vírus causador da hepatite B, está presente no sangue. Entre as causas de transmissão estão: transfusão de sangue; compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, entre outros), para higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings; da mãe infectada para o filho durante a gravidez (mais rara); e, sexo sem camisinha com uma pessoa infectada (mais rara).

A transmissão sexual do HCV entre parceiros heterossexuais é muito pouco frequente, principalmente nos casais monogâmicos; sendo assim, a hepatite C não é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Porém, entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e na presença da infecção pelo HIV, a via sexual deve ser considerada para a transmissão do HCV.

O surgimento de sintomas em pessoas com hepatite C aguda é muito raro. Entretanto, os que mais aparecem são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Por se tratar de uma doença silenciosa, é importante consultar-se com um médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam todas as formas de hepatite. O diagnóstico precoce da hepatite amplia a eficácia do tratamento. Existem centros de assistência do SUS que disponibilizam tratamento para a hepatite C em todos os estados do país. Verifique qual o centro de saúde mais perto de você aqui.

Quando a infecção pelo HCV persiste por mais de seis meses, o que é comum em até 80% dos casos, caracteriza-se a evolução para a forma crônica. Cerca de 20% dos infectados cronicamente pelo HCV podem evoluir para cirrose hepática e cerca de 1% a 5% para câncer de fígado. O tratamento da hepatite C depende do tipo do vírus (genótipo) e do comprometimento do fígado (fibrose). Para isso, é necessária a realização de exames específicos, como biópsia hepática nos pacientes sem evidências clínicas de cirrose e exames de biologia molecular.

Previna-se
Não existe vacina contra a hepatite C, mas evitar a doença é muito fácil. Basta não compartilhar com outras pessoas nada que possa ter entrado em contato com sangue, como seringas, agulhas e objetos cortantes. Entre as vulnerabilidades individuais e sociais, devem ser considerados o uso de álcool e outras drogas e a falta de acesso à informação e aos insumos de prevenção, como preservativos, cachimbos, seringas e agulhas descartáveis.

Além disso, toda mulher grávida precisa fazer no pré-natal os exames para detectar as hepatites B e C, a aids e a sífilis. Esse cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação (fissuras no seio da mãe podem permitir a passagem de sangue).

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