São Paulo ‘se descobre’, quebra tabus e vence Timão em noite de expulsões

Tricolor joga melhor, extermina marcas do rival e avança na competição, em noite de protagonismo do árbitro Sandro Meira Ricci

Com o resultado, o Tricolor vai enfrentar o Cruzeiro, bicampeão brasileiro, nas oitavas de final. Já o Timão, que já estava garantido na liderança do grupo, ironicamente acabou “se beneficiando” do placar. Ficou atrás do Internacional na classificação geral, e fugiu do confronto com o Atlético-MG. Vai encarar o Guarani do Paraguai. Este 22 de abril parece mesmo um dia fadado às descobertas.

Analisemos o confronto. Antes do jogo, era difícil acreditar na vitória são-paulina. Por tudo que (não) fez nesta temporada e por tudo que o rival fez. Mas os gols de Luis Fabiano e depois Michel Bastos entraram para a história por findar a invencibilidade de 26 jogos do Corinthians no ano e o tabu do Majestoso no Morumbi: o Tricolor não vencia o rival em casa desde 2007, há 13 jogos.

A supremacia corintiana começou a desmoronar já no início do jogo, com o ímpeto inédito e muito bom do São Paulo, mas descambou mesmo aos 18 minutos. Foi quando o torcedor alvinegro descobriu que o árbitro Sandro Meira Ricci poderia aprontar. Rafael Toloi e Emerson Sheik se enroscaram e, no fim do lance, o corintiano deixou a perna no são-paulino. Pegou, mas veio acompanhada de uma encenação de Toloi e o cartão vermelho para Sheik. Corinthians com um a menos e o torcedor deve ter lembrado na hora que, na véspera do jogo, o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, pressionou Ricci exibindo um histórico de expulsões dele contra o clube: 10 em 17 jogos, uma do Corinthians em 17 jogos. Ricci ainda apareceria novamente.

O time do São Paulo, muito menos Luis Fabiano, não tinham nada a ver com isso. E o centroavante, aos 31 minutos, mostrou que seu custo-benefício não era bem zero, como Aidar havia dito. Fez um gol de oportunismo, com a marca do Fabuloso, o nono contra o rival. Explodiu o Morumbi, fez justiça ao jogo!

Tanto que pouco depois Michel Bastos, incendiado desde o início, ampliou em chute de fora da área, em que Cássio foi estranho para a bola e acabou não alcançando. Milagre? Eita 22 de abril de descobertas…

Mas a maior delas ficou para o segundo tempo, mais precisamente aos nove minutos. Após uma disputa com Mendoza, Luis Fabiano levou a mão ao rosto e desabou no gramado. Mas as imagens denunciaram a simulação do atacante, que tinha sido atingido no braço. O que fez Sandro Meira Ricci? Deu o segundo amarelo para o são-paulino, expulsando-o, e expulsou Mendoza. Oi? Mas se Luis foi advertido pela simulação, qual a infração do colombiano? Ouso dizer que ninguém no estádio descobriu.

A partir daí, virou outro jogo, ainda mais desfavorável ao Corinthians, que já jogava mal e aí que não incomodou Rogério Ceni, grande espectador da partida. Estava morto o time de Tite. E o São Paulo, com a cautela de quem agonizava, levou o jogo no banho maria para renascer na temporada.

Foi o dia em que os dois times descobriram quão complexo e fantástico é o futebol e quantos ingredientes são capazes de determinar um vencedor.

FICHA TÉCNICA: SÃO PAULO 2 X 0 CORINTHIANS

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data/Hora: 22/4/2015 – 22h
Árbitro: Sandro Meira Ricci (SC)
Auxiliares: Fabrício Vilarinho (SC) e Fabio Ferreira (SC)

Renda/Público: R$ 3.113.120 / 38.772 pagantes
Cartões Amarelos: Dória, Hudson, Reinaldo e Denilson (SPO); Danilo e Elias (COR)
Cartões Vermelhos: Emerson Sheik, 19’/1ºT, Luis Fabiano, 9’/2ºT e Mendoza, 9’/2ºT
GOLS: Luis Fabiano, 30’/1ºT (1-0), Michel Bastos, 38’/1ºT (2-0)

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Dória e Reinaldo; Denilson (Centurión, 32’/2ºT), Souza, Hudson (Rodrigo Caio, 39’/2ºT), Ganso e Michel Bastos (Thiago Mendes, 36’/2ºT); Luis Fabiano Técnico: Milton Cruz.

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf, Elias, Jadson (Bruno Henrique, 15’/2ºT), Renato Augusto (Danilo, 24’/2ºT) e Emerson Sheik; Vágner Love (Mendoza, intervalo). Técnico: Tite.

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