São Paulo de Rogério Ceni abusa das bolas aéreas, mas é ineficaz

Gazeta Esportiva/JP

Muitos pontos e aspectos podem ser apontados para explicar a má fase do São Paulo na temporada de 2017 e, especificamente, no Campeonato Brasileiro. A falta de planejamento, o desmanche no elenco, a chegada de reforços de forma tardia… Argumentos inegáveis, que contribuem para uma equipe insegura, ineficaz e de um futebol pobre. Mas, outro ponto também tem chamado atenção nos jogos do Tricolor do Morumbi: o excesso de bolas altas.

Rogério Ceni já utilizou formações com três zagueiros, apostou nas tradicionais linhas de quatro, escalou o time com dois centroavantes, com dois pontas pelas beiradas, já foi ofensivo, já foi cauteloso. O que não mudou até agora é a estratégia de buscar as jogadas abertas para alçar a bola na área. E quando não dá para cruzar, que o lançamento venha de trás mesmo.

Segundo dados do Footstats, o São Paulo chega para o confronto com o Flamengo, nesse domingo, como a terceira equipe do Brasileirão que mais cruza a bola na área do adversário, atrás apenas de Chapecoense (268) e Vasco (266), e empatado com seu rival dessa 11ª rodada. A dita jogada aconteceu 265 vezes até aqui, e os jogadores tricolores erraram o lance em 205 oportunidades na hora de bater na bola.

As estatísticas mostram, também, que nenhum time fica mais tempo com o domínio da bola do que o São Paulo. Isso expõe falta de criatividade e o abuso nas jogadas aéreas. Afinal, se usarmos como referência a média de 56’12min de bola em jogo por partida, que é o recorde alcançado no Campeonato Brasileiro do ano passado, e pegarmos a média de cruzamentos da equipe de Rogério Ceni, que é 26,5 por partida, o São Paulo repete a jogada uma vez a cada 2’11 minutos.

Como normalmente a maioria dos confrontos não chega a esse recorde de tempo de bola em jogo e o São Paulo, obviamente, ainda fica sem a posse da bola sempre que o adversário a detém, essa média de cruzamentos a cada minuto aumenta ainda mais. Apesar de cruzar a exaustão, o Tricolor figura como o segundo time que mais erra nesse quesito e é apenas o quinto na lista dos certeiros.

Não bastasse tantos cruzamentos, os são-paulinos também não têm vergonha na hora de lançar a redonda em direção a algum companheiro mais distante. Até a 10ª rodada, foram 371 lançamentos, e apenas 158 tiveram endereço certo. Nesse ranking, há oito equipes que estão à frente do São Paulo, mas, nenhuma delas figura no pelotão de cima, o famoso G6 do Campeonato Brasileiro. São elas, em ordem: Vitória (434), Atlético-GO (424), Botafogo (406), Fluminense (401), Avaí (392), Ponte Preta (382), Atlético-MG (377) e Atlético-PR (373).

E, talvez, o número que chame mais atenção na atual campanha do São Paulo seja aquele que aponta a ineficácia da estratégia adota por Rogério Ceni. Os comandados do ex-goleiro têm o sexto pior ataque do Campeonato Brasileiro, empatados com Atlético-MG e Cruzeiro.

Foram anotados 10 gols pelo time tricolor. E apenas três oriundos de bolas aéreas: o gol de Lucas Pratto contra o Avaí, após Marcinho escorar lançamento da intermediária; o gol de Gilberto no clássico com o Corinthians, depois de Júnior Tavares cobrar falta central, de novo da intermediária; e o gol de Jucilei, diante do Fluminense, esse sim após um cruzamento, mas também como consequência de uma bola parada e rebotada para a área.

Nesse domingo, Rogério Ceni e companhia encaram o Flamengo, no Rio de Janeiro, pressionados pelo jejum de cinco rodadas sem vitória e pela posição incômoda na tabela: 16º lugar, a um ponto da zona de rebaixamento.

Seja a base de bola alta ou não, o Tricolor busca seu primeiro triunfo como visitante. Aliás, a atual campanha já é a pior do clube, fora de casa, desde 2003, quando a fórmula dos pontos corridos passou a ser adotada (quatro derrotas e um empate). A última vez que saiu do gramado com os três pontos longe de seus domínios foi no longínquo 19 de abril, diante do Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Duelo que acabou marcando a eliminação dos paulistas do torneio por mata-mata.

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