Saiba como a CBF quer transformar em pizza a CPI que promete investigá-la

Fernando Sarney é vice da CBF e interessado que aliados ocupem na presidência da CPI
Fernando Sarney é vice da CBF e interessado que aliados ocupem na presidência da CPI

A CPI do Futebol no Senado, cujas primeiras reuniões estão marcadas para a próxima semana, já conta com a interferência da CBF. A confederação é o principal alvo da comissão, pedida pelo ex-jogador Romário (PSB-RJ). De tal maneira que a entidade se movimenta nos bastidores para ter um aliado na presidência.

João Aberto (PMDB-MA) é considerado o homem da CBF dentro da CPI. Ele foi indicado por sua bancada para compor a comissão e agora vislumbra a presidência. O relator deve ser Romário, seguindo uma regra não escrita do parlamento, segundo a qual o autor do requerimento de instalação teria o direito de ocupar a relatoria.

Em termos de importância, o relator consegue produzir mais que o presidente de uma CPI. Porque ao presidente compete a direção dos trabalhos e a representação da comissão em suas relações externas ao Congresso. A condução dos atos de investigação mantém-se sob controle do relator. Mas a presença de João Alberto no posto mais alto da CPI tem o efeito de uma bandeira fincada em território inimigo.

O senador é mais um dos apadrinhados da família Sarney. Foi com o apoio do ex-presidente José Sarney que ele tornou-se governador do Maranhão, entre 1990 e 1991. Ele também foi deputado federal pelo Estado. Nas eleições de 2006, era candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Roseana Sarney, que acabou derrotada nas urnas.

João Alberto tem ligação estreita com Fernando, o segundo dos três filhos de José Sarney. Fernando é vice-presidente da CBF, aliado a Marco Polo Del Nero, diretamente interessado no andamento das investigações sobre a confederação.

É apaixonado por esportes, já financiou a criação de um time de basquete profissional feminino, uma vez que é praticante da modalidade. Ele comanda o Grupo Mirante de Comunicação, que é afiliada da TV Globo no Estado.

Fernando Sarney foi alvo de investigação da operação “Faktor” (que já recebeu o nome de “Boi Barrica”) da Polícia Federal, que apura seu envolvimento em lavagem de dinheiro. A operação da PF foi deflagrada em 2007 devido à movimentação atípica de R$ 2 milhões na conta de Fernando e da mulher dele, Teresa.

Mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as provas obtidas pela operação da polícia. Os ministros do STJ entenderam que os grampos que originaram as quebras de sigilo foram ilegais.

Com João Alberto na CPI, a bancada da CBF no Congresso repete a tática adota na Medida Provisória do futebol que, entre as muitas resoluções, trata da renegociação das dívidas dos clubes. A MP corre o risco de caducar segundo alguns parlamentares, em razão de um boicote promovido pelos deputados da base de apoio da CBF.

“Foi um tremendo erro ter permitido que parlamentares com ligação com a Confederação Brasileira de Futebol tenha participado deste grupo de discussão para mudanças no nosso futebol”, lamentou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “E agora, com a CPI do Futebol, eles vão exercer uma influência muito forte. Serão só sete senadores membro da comissão, o que torna mais fácil para que eles tenham um controle sobre o que está sendo feito aqui [no Senado]”, completou.

O grupo da MP do futebol conta com um parceiro de vice-presidência da CBF, o deputado Marcus Vicente (PP-ES) e o diretor para assuntos internacionais da confederação, Vicente Cândido (PT-SP), Só nesta semana, duas sessões de debate da medida provisória foram canceladas por falta de quórum. Jamais havia ocorrido tal situação para tratar deste tema.

O senador Romário (PSB-RJ) corrobora com a tese de Randolfe sobre a relação de parlamentares com a CBF. “As pessoas não conseguem entender que a defesa da CBF nesta casa, no Congresso, é a defesa do que é ruim, atrasado e imoral pro nosso futebol”, falou o ex-jogador, ontem, na reunião da MP. “Tudo nesta casa que passe a dar qualquer tipo de responsabilidade à entidade maior do futebol que é a CBF infelizmente não irá pra frente.”

UOL

Comentários

comentários