Rodrigo Maia diz que “ao final de um ciclo é preciso recomeçar”

Silvio Ferreira

“O dia em que um país terá o primeiro caso de um ex-presidente preso por corrupção, não é uma data para se comemorar. Mas a Justiça precisa ser respeitada. Ninguém está acima da lei. Devemos refletir e encarar esse momento com o encerramento de um ciclo”, declarou o deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro e pré-candidato do Democratas à presidência da República, Rodrigo Maia.

O deputado fluminense chegou à Câmara Municipal de Campo Grande – para o evento de filiação do partido que também marcou o lançamento de sua pré-candidatura para a presidência da República nas eleições de outubro – depois do meio-dia. O evento estava marcado para às 9h.

Maia chegou acompanhado pelo ministro da secretaria de governo de Michel Temer, Carlos Marun (MDB); pelo deputado federal Heráclito Fortes (DEM-PI), e pelo ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (MDB).

“Reconstrução nacional e políticas de austeridade”
Durante o evento, Maia apresentou alguns dos temas que devem nortear sua campanha na corrida presidencial: “Precisamos reconstruir o País. E entendo que sobre dois pilares: a Educação e a geração de empregos. O Brasil precisa mudar. Não podemos mais gastar com o ensino superior mais do que gastamos com o ensino fundamental. Precisamos construir uma realidade em que o trabalhador tenha acesso a uma creche para deixar os seus filhos e tenha o condições de trabalhar. Para que seus filhos possam chegar no futuro a um ensino superior de qualidade”, defendeu.

Maia defendeu a necessidade de uma reforma da Previdência: “Não podemos aceitar que enquanto um trabalhador da iniciativa privada que trabalhe até os 65 anos, possa se aposentar com no máximo o teto da Previdência, de R$ 5 mil, enquanto muitos servidores públicos se aposentam com pouco mais de cinquenta anos, com o teto dos servidores públicos, de mais de R$35 mil. Precisamos acabar com essa distorção”, exemplificou.

O pré-candidato defendeu a urgência de cortes dos gastos públicos: “O País não pode mais sustentar uma realidade em que a arrecadação federal, da ordem de mais de R$ 1,3 trilhão, registre um déficit de R$159* bilhões”, disse Maia. “Rombo que, quase em sua totalidade, é relativo à despesas fixas, das quais o governo não pode se esquivar. Precisamos ter um estado mais simples e eficiente”, defendeu.

*(N.E.: O déficit oficial nas contas do governo federal em 2017 foi de R$124,4 bilhões. A estimativa inicial era de R$159 bilhões, valor citado na declaração reproduzida na reportagem).


“Conciliador discreto”

Maia foi descrito pelos integrantes de sua legenda, bem como por políticos de outros partidos que discursaram durante o evento, como “um mediador, um conciliador discreto na condução da Câmara dos Deputados que apoiou medidas imprescindíveis de um governo impopular” – referindo-se à aprovação da Reforma Trabalhista e à defesa da Reforma da Previdência, que ainda não vingou. Como presidente da Câmara e líder do DEM na base de apoio de Temer, Maia deu apoio quase incondicional às polêmicas propostas do atual governo federal, que detém os mais baixos índices de aprovação e popularidade da história do País.

Em resumo, segundo Carlos Marun, Heráclito Fortes e José Carlos Barbosa: “Maia é um político que, com serenidade, maturidade e competência, está ajudando a conduzir o Brasil para fora da pior crise econômica que já atingiu o país.”

Filiação e troca de presidência 
Elogiando a atuação dos deputados federais Luiz Carlos Mandetta e Tereza Cristina – principalmente na área de Saúde e do Agronegócio – Maia comemorou o “fortalecimento do Democratas no Estado e na bancada federal”. E assinou as atas de filiação ao partido da deputada federal, assim como do deputado estadual José Carlos Barbosa, ambos ex-integrantes do partido, que depois de passarem pelo PSB, retornam ao Democratas.

Também voltou a filiar-se ao partido, o ex-prefeito de Dourados, ex-vice-governador e ex-presidente da legenda em Mato Grosso do Sul, Murilo Zauith, pré-candidato ao governo do Estado. Ao oficializar o seu retorno ao Democratas, Zauith foi imediatamente nomeado presidente do DEM/MS pelo até então líder do partido, deputado Luiz Henrique Mandetta.

Pré-candidatos
Tanto Zauith – atualmente sem cargo eletivo – quando Mandetta têm interesse em disputar o governo do Estado pelo partido, mas no caso do deputado federal ainda há a possibilidade da opção pela disputa ao Senado.

Comentários