Rio e CG tem mais abstenção e votos nulos que mostra distancia entre eleitor e políticos, diz Mendes

urnaO presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, disse ainda ontem (30) que os altos índices de abstenção e de votos nulos registrados no segundo turno da eleição pelo Brasil – em especial na cidade do Rio de Janeiro e aqui em Campo Grande, que ficaram acima da média nacional – representam uma “espécie de distanciamento entre o eleitor e os políticos”. Veja baixo a avaliação de Mendes diante de que em todo o país, cerca de 7 milhões não votaram, levando a uma media total de abstenção em 21,55% nacional ante os 25,8 milhões de eleitores (78,45%) que compareceram às urnas, de um total de 32,9 milhões que estavam aptos a votar. Os cariocas e campo-grandenses que não foram as urnas, totalizaram 26,85% e 22,32%, respectivamente. Os dois municípios com maior ausência nas urnas neste domingo (30).

A cidade do Rio de Janeiro e Campo Grande tiveram candidatos com menos votos que o número de “não voto” em nenhum. No Rio, os índices de abstenção e de votos nulos superaram a média nacional e dos dois concorrente, ficando em primeiro lugar, com mais de 1,8 milhão de “não votos”. A abstenção na capital fluminense chegou a 26,85% (1,3 milhão de faltantes) e foram registrados 569,4 mil votos nulos (15,9% do total). Na disputa pela prefeitura, Marcelo Freixo (PSOL), teve 1,1 milhão de votos. O prefeito eleito, Marcelo Crivella (PRB), recebeu 1,7 milhão de votos.

O segundo turno em Campo Grande, como o Página Brazil divulgou ontem, “o não voto” foi recorde e em grande proporção. O total com 183.636 eleitores, chegou a 33,3% entre abstenções, brancos e nulos. O número foi maior que a segunda colocada, Rose Modesto (PSDB) que obteve 169.660 votos (41,23%). O prefeito eleito, Marquinhos Trad (PSD) obteve 241.876 (58,77%). O percentual da candidata é maior, porque a Justiça Eleitoral para resultado final, considera somente os votos válidos dos dois concorrentes. Somente pela abstenção, na Capital, o eleitor não ir votar, foi menor que no Rio, mas que ainda cresceu nesta segunda etapa, com 132,8 mil eleitores ausentes, totalizando os 22,32% ante os 19,2% no primeiro turno.

Ainda assim, o presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Divoncir Schreiner Maran, até se disse surpreso, por esperar que o total de faltosos fosse maior. Veja sua avaliação em nossa reportagem de ontem, onde ainda ele revelou que o número ficou como o projetado pela própria Justiça Eleitoral, apesar deles como cidadãos, esperar por maior índice.

Avaliação Nacional : manifestações

Em entrevista coletiva para comentar os números finais da eleição deste domingo, o presidente do TSE, disse que os índices não devem ser desprezados, mas também devem levar em conta imprecisões do cadastro eleitoral, como pessoas que mudam de endereço e não fazem a atualização de seus dados.

“Percebe-se que alguma coisa ocorre no que diz respeito a esse estranhamento ou a esse distanciamento entre o eleitor e os políticos que eventualmente o representam. Alguma coisa traduz a ausência ou também na opção pelo voto nulo, especialmente no segundo turno”, disse o ministro.

Mendes também disse que a ocupação de escolas que seriam usadas como locais de votação “tumultuou o processo eleitoral”. Segundo ele, a Justiça Eleitoral gastou cerca de R$ 3 milhões para realocar seções eleitorais que estavam localizadas em escolas públicas ocupadas por estudantes no Paraná em protesto contra mudanças no ensino médio.

Para o presidente do TSE, o protesto estudantil teve “suas consequências”, como o deslocamento de 700 mil eleitores em Curitiba, por exemplo. “O exercício de um dado direito [protestar] não deve levar a impedir o exercício de outro direito [votar]. Neste caso, esse protesto, com todas as boas intenções em que ele possa estar revestido, contribuiu para tumultuar o processo eleitoral, o direito de as pessoas votarem.”

De acordo com a Justiça Eleitoral, o custo do voto de cada eleitor no segundo turno foi em torno de R$ 4,5. O custo total do pleito, somando os gastos do primeiro e do segundo turno, foi de aproximadamente R$ 650 milhões.

Votação

Os eleitores que voltaram às urnas para a escolha de prefeitos e vice-prefeitos em 57 cidades de 20 estados do país utilizaram 90.532 urnas eletrônicas. A cidade de Maringá (PR) foi a primeira a terminar a apuração, às 17h51.

Cada eleitor que compareceu às urnas hoje gastou cerca de 40 segundos para votar nas seções eleitorais que não contavam com processo de identificação por biometria; e 60 segundos onde os equipamentos de leitura pela digital estavam disponíveis.

Por causa do horário de verão, nos municípios dos estados de Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, o pleito terminou às 19h, pelo horário de Brasília.

Ocorrências

O TSE registrou durante todo o período da votação, 293 ocorrências e 94 prisões. Em 217 casos, a Justiça Eleitoral flagrou cabos eleitorais fazendo propaganda para candidatos, a tradicional boca de urna. Nenhum candidato foi preso.

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