Ricardo Oliveira desabafa contra falta de respeito ao Santos

O centroavante Ricardo Oliveira, principal artilheiro do Santos e do Campeonato Paulista com dez gols, admitiu que a descrença sobre a equipe no início de ano colaborou para a campanha na competição. O jogador diz, inclusive, que “faltou respeito à história do clube” e disse que o controle psicológico é a principal preocupação para a final contra o Palmeiras , que será decidida nos próximos dias 26 e 3.

“Quero perguntar o seguinte: como um clube como o Santos, com Robinho, Renato, Gabigol, Geuvânio, Lucas Lima, Alison, David Braz, estou falando de jogadores que já estavam, outros que subiram, pode entrar em uma competição desacreditado? O clube passava por problemas, jogadores na Justiça? Aconteceu mesmo, mas tratar o Santos da forma que foi tratado é falta de respeito com a história do clube. Não se pode falar que vai entrar no Paulista e vai sofrer, correndo o risco de cair. Aí, vai trazendo jogadores experientes, não vai dar mais em nada”, desabafou o camisa 9.

“Tudo isso serviu de motivação para nós. Viemos, trabalhamos firme e estamos na final. Olha como as coisas mudam. Para nós, é bacana, pois sabemos que conquistamos com trabalho. Hoje as pessoas valorizam esse trabalho porque não ficamos falando nada. Bacana falar muita coisas para vocês, mas se não fizer gol e não ganhar, não adianta. Vão cobrar, futebol é isso. Serviu de motivação, fez o time crescer”, completou.

Oliveira foi um dos contratados que chegou sob descrença pela idade elevada, além dos quase cinco anos atuando nos Emirados Árabes. Para voltar, aceitou um contrato de risco, até maio, com ganhos baixos, cerca de R$ 40 mil mensais, semelhante ao feito com o meia Elano.

O Santos também contratou o volante Valencia, em baixa no Fluminense , o zagueiro Werley, na reserva do Grêmio, além do meia Marquinhos Gabriel, pouco conhecido. O lateral esquerdo Chiquinho, titular no Fluminense no ano anterior, e o goleiro Vanderlei, do Coritiba , foram as principais apostas.

O temor, mais uma vez, é sobre o fator psicológico que pesou na não conquista do último campeonato, quando perdeu a decisão para o Ituano, nos pênaltis. Na ocasião, as jovens promessas, Geuvânio e Gabriel Barbosa, foram os mais afetados.

O primeiro deu sinais de já ter superado parte do temor em jogos decisivos no clássico do último domingo, contra o São Paulo, quando foi fundamental para a vitória por 2 a 1.

Após a classificação, o técnico Marcelo Fernandes admitiu ter feito um trabalho motivacional com base nas críticas a equipe antes mesmo do início da temporada.

“Do outro lado existe um grande clube, que chegou por méritos. Chegamos igualmente e (o campeonato) será ganho em campo. A força do nosso grupo é essa, a atmosfera e a força psicológica de cada um. Isso faz clube vencedor. Time vencedor tem elenco que se completa, se ajuda, isso a gente tem. Desde quando cheguei, os discursos foram mudando, jogo após jogo. Tomara que a gente consiga o título para coroar o grande trabalho que se iniciou pouco mais de três meses atrás”, explicou.

“Fisicamente estamos bem, agora precisamos estar psicologicamente, também, para enfrentar essa final, que é diferente de qualquer situação que não exija tanta perfeição de concentração e execução. Será complicado, mas é a final que desejávamos. Chegamos e vamos enfrentar o jogo com confiança e alegria”, completou.

Oliveira é um dos jogadores mais valorizados pelo Santos após o fim da competição. As partes discutem há mais de um mês a renovação contratual que, segundo o jogador, pode sair em meio as decisões. O primeiro jogo acontecerá neste domingo, às 16h (de Brasília), no Allianz Parque, enquanto o segundo, uma semana depois, na Vila Belmiro.

TERRA

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