Ricardo Gomes á apresentado ao Botafogo após quatros anos afastado dos gramados

No mesmo Engenhão onde sofreu um AVC em 2011, treinador comemora chegada ao Botafogo e à função. Ele só assume o comando do time efetivamente na quarta-feira

Ricardo Gomes foi apresentado nesta segunda-feira como novo treinador do Botafogo. É o reinício de uma trajetória interrompida em 28 de agosto de 2011, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral quando comandava o Vasco no clássico contra o Flamengo, no mesmo Engenhão que agora será seu local de trabalho diário.

Ricardo Gomes concedeu entrevista coletiva no Engenhão nesta segunda-feira (Foto: Gustavo Rotstein)
Ricardo Gomes concedeu entrevista coletiva no Engenhão nesta segunda-feira (Foto: Gustavo Rotstein)

Ricardo substitui René Simões, demitido após a eliminação da equipe da Copa do Brasil, contra o Figueirense.

Após assumir o cargo de diretor de futebol do Vasco em 2013, Ricardo Gomes permaneceu afastado do futebol para intensificar o tratamento das sequelas do AVC. Agora sentindo-se pronto para retomar a atividade de treinador, ele conversou com a imprensa ao lado de dirigentes alvinegros.

Ele estará no Estádio Nilton Santos para assistir ao jogo contra o Criciúma, nesta terça-feira. No dia seguinte inicia efetivamente o trabalho, segundo ele, sem qualquer restrição.

– Estou muito feliz, retornando ao que eu gosto de fazer. Ser treinador. Vocês vão ver que recuperei minha parte motora. Tenho algumas sequelas, mas estou bem de saúde e totalmente liberado. Minha preocupação é fazer o Botafogo a voltar ao lugar de onde não deveria ter saído. Estresse vai acontecer. Mas não precisa ser só elogios de vocês (jornalistas) só porque eu tive um AVC. Estou liberado para críticas, sem contraindicações – brincou.

Nitidamente feliz e emocionado com o retorno ao dia a dia do futebol, Ricardo Gomes deixou clara a luta diária que teve, durante quase quatro anos, para voltar a ser treinador de futebol. Esse obstáculo foi superado. A missão agora é levar o futebol de volta à elite do futebol brasileiro.

– O maior desafio foi o AVC. Não foi fácil. Foi uma recuperação difícil. A minha memória de atleta me ajudou bastante. Essa disciplina e capacidade de treinar de 10 a 12 horas por dia. Primeiro em casa e depois em clínicas. Imagina a minha cabeça quando surgiu a proposta do Botafogo. Na minha cabeça, é um grande clube. O Botafogo é um grande clube. O futebol brasileiro esta em um momento de baixa, assim como o Botafogo. Mas estou aqui para ajudar a levar ao lugar que ele merece. Fiquei emocionado com o desafio. Hoje, para mim, não poderia ser melhor.

Durante aproximadamente 30 minutos, Ricardo Gomes conversou com a imprensa e falou sobre os desafios para retornar ao futebol, o apoio da família, o primeiro contato com os jogadores do Botafogo, entre outras coisas. Confira os principais trechos.

Volta ao Engenhão

Dia 28 de agosto de 2011. Se eu não estivesse aqui no Engenhão, agora Niltão, eu não estaria aqui conversando com vocês hoje. Se estivesse em qualquer outro lugar, eu não estaria aqui. A verdade é uma só. Ainda bem que eu estava no Engenhão.

Família

Eles não estão nem um pouco preocupados. Eles me conhecem. Apesar do AVC, que foi traumático, estou recuperado. Essa não é a minha opinião. É a opinião dos médicos que salvaram a minha vida. Falei para os jogadores que devem estar pensando: “O que esse cara está fazendo aqui depois de sofrer dos AVC?” Isso é defeito de fábrica. EU tinha que passar por isso.

Primeira impressão

Participei de duas reuniões importantíssimas com os observadores do Botafogo. Vamos falar a verdade. Fiquei quatro anos fora do mercado. É claro que isso tem um preço. Eu sei disso. Cansei de assumir clubes em situações ruins, mas na liderança é a primeira vez (risos). O futebol brasileiro tem essa cultura. Mas ainda bem que tive esse apoio da comissão técnica. Tivemos uma reunião importantíssima. Foram quatro horas impressionantes. O profissionalismo aqui dentro me deixou muito tranquilo.

Distância do futebol 

Uma coisa é ver futebol na televisão. É um outro jogo. Só consegui acompanhar mesmo em 2014. Fui a Lisboa acompanhar a final da Liga dos Campeões, vi também a final da Liga Europa. Fui a alguns jogos na Copa do Mundo. Nesse ano fui ao Flu-Flu, acompanhei a estreia do Cristóvão Borges, que é meu amigo. Também estive escondido em alguns outros jogos.

Convite do Botafogo

Fiquei surpreso. Tive outro convite do Vitória, no início do ano, mas tive que operar o meu joelho. Quando veio o convite do Botafogo… É a primeira vez que recebo com o clube na liderança. O René fez um excelente trabalho. O Jair (Ventura) foi um espetáculo, tanto nas declarações como na maneira que montou o time.

Trabalhar com a garotada

Cheguei ao Fluminense ainda criança. Posso garantir que saí de lá formado.Quando fui para a Europa, tive pequenas correções, mas a formação no Fluminense foi o mais importante. Todos falam dessa coisa de ser inteligente, mas o mais importante é a formação. É aí que vamos mudar o futebol brasileiro. É aí que temos

Demora para acertar

Tenho sequelas, claro. Então tive esse primeiro encontro com a diretoria, com o Antônio Lopes, com o presidente e falei sobre a minha situação. Deixei claro que queria trabalhar no Botafogo. Eles viram que eu tinha condições de assumir. A partir daí, foram dois dias ao telefone com o Lopes para acertar a parte financeira.

Métodos

Quero dar continuidade ao que foi bem feito da época do René Simões e, agora, com o Jair Ventura. Vou dar continuidade ao trabalho, isso é o principal.

Primeiro contato com os jogadores

Tivemos uma reunião hoje pela manhã. A formação do Botafogo é muito boa. Estamos vendo a experiência dos jogadores que estão subindo agora para o profissional. Todos estão conscientes de que temos que trabalhar e ter disciplina. O ambiente dos jogadores é de muita luta, de competição interna. Isso é muito importante para um grupo que quer ser campeão.

Quarto grande do futebol carioca

Não faço essa conta. Na minha cabeça um grande clube me convidou. Falta muita coisa na minha carreira. Comecei em 1996 e ainda não completei a segunda década. Na carreira de treinador, você realmente precisa de bastante tempo para ter o amadurecimento. O Botafogo é um grande clube e vamos fazer o melhor para que ele volte para seu lugar na história do futebol brasileiro.

globoesporte.com

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