Reunião sobre Mudança Climática termina dividida por financiamento

Agência EFE

A Conferência sobre Mudança Climática realizada em Bangcoc terminou neste domingo “com avanços formais” e uma clara divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento por conta do financiamento da luta contra este fenômeno.

Ao término da reunião, a secretária executiva da ONU para a Mudança Climática, Patricia Espinosa, destacou perante os veículos de imprensa os “progressos realizados na maioria dos temas”, embora tenha admitido que “nenhum foi resolvido”.

Espinosa ressaltou a “urgência” e a necessidade de “acelerar os trabalhos e intensificar a vontade” dos países, e encorajou “discussões em nível político” para a resolução do complexo assunto do financiamento que centrou grande parte das conversas.

Os Estados Unidos lideram o grupo de países que em 2015 se comprometeram no Acordo de Paris a fornecer em conjunto US$ 100 bilhões anuais destinados, a partir de 2020, às nações mais desfavorecidas, e que agora colocam novas condições.

Estes fundos têm como objetivo aliviar e diminuir os danos e consequências dos desastres ambientais extremos e financiar a adaptação às mudanças tecnológicas nos países em vias de desenvolvimento.

Os Estados Unidos, com o apoio de Austrália e Japão, falaram em outras modalidades de financiamento para enfrentar suas obrigações neste sentido, o que – segundo ecologistas – “estagnou” o progresso da negociação.

“Esperamos que as nações [desenvolvidas] se dêem conta de que suas ações são uma negação clara de suas responsabilidades”, disse a filipina Lidy Nacpil, representante da associação Asian People’s Movement on Debt and Development.

“Não podemos permitir que Trump e os grupos de pressão [das indústrias fósseis] continuem quebrando [o Acordo de] Paris enquanto [Estados Unidos] abandonam o pacto”, afirmou Jesse Bragg, da ONG americana Corportate Accountability.

Apesar de os Estados Unidos terem anunciado em junho de 2017 sua saída do Acordo de Paris, esta não será efetiva até novembro de 2020.

A reunião de Bangcoc, da qual participaram 1,4 mil delegados de mais de 190 países, é a última reunião preparatória antes da Cúpula do Clima (COP 24) que acontecerá em Katowice, na Polônia, em dezembro.

Os grupos ambientalistas realizaram uma chamada “urgente” à União Europeia para que ocupe o posto de liderança na luta contra a mudança climática e deixe de “se esconder com seu silêncio” sob a política americana.

Em entrevista à EFE, Espinosa elogiou o papel destacado da UE tanto nas negociações como nas mudanças sociais para “fazer o desenvolvimento econômico compatível com o uso eficiente dos recursos”.

Durante seis dias de reuniões, os delegados em Bangcoc alcançaram “pequenos avanços sobre processos formais tais como objetivos e modalidades de medição” para elaborar um manual de normas e diretrizes que inclua metas, calendários e políticas para que os países reduzam suas emissões de gases contaminantes.

Em 2015 em Paris, os representantes de 195 países-membros decidiram como objetivo combater o aquecimento global e que as temperaturas não superassem neste século os 2° C ou preferivelmente 1,5° Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Está previsto que o Acordo de Paris comece a partir de 2020, quando finalizar a vigência do Protocolo de Kioto.

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