Reinaldo reafirma que não recebeu propina em troca de incentivos fiscais

O candidato a reeleição ao governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), afirmou durante entrevista ao MS1 desta quinta-feira (13) que, se eleito, vai dar continuidade a Caravana da Saúde, programa que iniciou em seu primeiro mandato e levou por meio de unidades móveis atendimento médico a vários municípios do estado. Azambuja também negou que tivesse recebido propina do grupo JBS em troca da concessão de incentivos fiscais, denúncia feita em deleção de executivos da empresa e que está sendo apurada na operação Vostok, deflagrada nesta quarta-feira (12), pela Polícia Federal. Ele está sendo investigado na ação e teve, inclusive, documentos apreendidos em sua casa e na governadoria.

Reinaldo Azambuja (PSDB), candidato a reeleição ao governo de MS — Foto: Anderson Viegas/G1 MS

Sobre a saúde, o candidato disse que pretende, se for reeleito, manter o programa Caravana da Saúde. “A Caravana é um programa para suprir uma necessidade. O que vale é a regionalização. É Coxim com hospital. É Ponta Porã. É Três Lagoas, é Dourados, é o Hospital do Trauma, Hospital do Câncer, é Nova Andradina, é Naviraí. Um programa de regionalização que está sendo implementado. Caravana é para tirar da fila pessoas que ficaram anos esperando. Quando comecei o governo tinha 72 mil pessoas para fazer uma cirurgia. […] Agora você vai deixar 72 mil pessoas esperando. Pergunta para quem foi na Caravana da Saúde se não está contente. Foram 66 mil pessoas que passaram por uma cirurgia. Gente que estava aguardando a 10, 15 anos. […]Desculpe os críticos da Caravana da Saúde. A regionalização vai funcionar. Estão sendo entregues os hospitais, os equipamentos, as UTIs, a UTI neonatal, tomógrafo, ressonância. Isso tá sendo feito, porque um programa regionalizou a saúde, mas enquanto houver uma pessoa para fazer a cirurgia, eu vou continuar, se for eleito, com a Caravana da Saúde”.

Azambuja assegurou ainda que pretende, se eleito para um segundo mandato, manter a redução de cinco pontos percentuais da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o preço do diesel, aplicada em junho deste ano, após o governo ter firmado acordo com os caminhoneiros do estado para que eles encerrassem a paralisação que havia sido iniciada em maio. No início do mandato, ele já havia diminuído a taxação, conforme havia prometido durante sua campanha, mas alegando que a redução não havia chegado ao consumidor final, a alíquota havia sido restabelecida.

“A promessa [de reduzir a alíquota do diesel] foi cumprida no primeiro ano. Mas o que foi que aconteceu. Nós combinamos com o setor, o Sinpetro [Sindicato dos postos], que eles iriam baixar a alíquota e iriam transferir no preço para o consumidor final. Mas o que aconteceu. Incorporou lucro para o dono do posto. E aí que acabou que quem ganhou foi o dono do posto, não o consumidor. […] Aí veio a greve e nós discutimos de novo e chamamos o Ministério Público e o Procon e dissemos: Vamos fazer de novo, só que agora é o seguinte. Não quero atuar com o poder de polícia que o governo tem. Se vocês não transferirem o desconto dos cinco pontos de desconto do ICMS, e essa lei não tem prazo mais, o Procon e o MP vão autuar vocês. […]Isso não muda mais. É competitividade para o estado. […]Quanto mais a alíquota diminuir, mais competitiva é a nossa economia”.

Operação Vostok

Azambuja foi questionado pela jornalista Bruna Mendes durante a entrevista sobre a investigação aberta pela Polícia Federal em que ele é suspeito do recebimento de propinas pelo grupo frigorífico JBS em troca da concessão de benefícios fiscais. Também foi perguntado sobre a participação do seu filho e assessores próximos, como o ex-secretário de Fazenda, Márcio Monteiro, no suposto esquema.

Azambuja negou o recebimento de propina e a participação dele, do filho e de ex-assessores no esquema e ainda procurou desqualificar a delação de executivos da JBS, que foi base para a investigação da Polícia Federal. “É o momento de esclarecer a verdade a população de Mato Grosso do Sul. Esse grupo roubou o Brasil. Desviaram recursos em muitos estados brasileiros. Aí, fizeram uma delação. Essa delação, inclusive, que foi homologada pelo Ministério Público Federal, foi depois questionada pelo próprio Ministério Público, que pediu a anulação. Esse pessoal era mal acostumado aqui no estado. Tinham benefícios fiscais e pagavam poucos tributos no estado. E nos enquadramos eles. […] Posso te dizer com tranquilidade, que eles saíram de R$ 41 milhões que pagavam ano até 2014 para R$ 191 milhões, que pagaram no último ano. […]Depois de um ano e quatro meses que eu queria falar no processo [após a delação dos executivos], nunca me deixaram falar, fazem uma operação midiática. Dois dias antes já tinha adversários postando nas redes sociais que algo sério aconteceria no Mato Grosso do Sul. Aí faz toda essa parafernália. Prendeu pessoas ligadas a mim e não por atos praticados no governo e sim por venda de gado ao frigorífico JBS. […]Só ontem que tive oportunidade de falar [em depoimento a Polícia Federal]. Foram 34 perguntas e respondi todas. Perguntaram se tinha recebimento de propina. Eu disse que não. Perguntaram porque a doação oficial, expliquei os detalhes da doação oficial ao partido, ao PSDB. Expliquei os termos de acordo que nós mudamos para 1.199 empresas. Nada a esconder. Respondi 34 perguntas e não ficou nenhuma dúvida, porque não tem dúvida. Eu tenho obrigação de prestar contas a população do meu estado e estou fazendo”.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here