Reinaldo lidera comitiva que vai propor compra direta do gás pelos estados do Codesul

Jackson Nogueira

O governador Reinaldo Azambuja vai sse reunir na próxima sexta-feira (5), com membros do Ministério de Hidrocarboneto da Bolívia, para discutir alternativas visando minimizar os impactos na receita de ICMS de Mato Grosso do Sul com a redução das importações do gás natural boliviano pela Petrobras.

Reinaldo propôs a compra direta do gás pelos estados que compõem o Codesul – além de MS, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – e agendou uma reunião em Santa Cruz de La Sierra (Bo), para definir as condições comerciais e técnicas do processo de importação a partir da central de distribuição, situada na fronteira com Corumbá.

O governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), acompnaha Reinaldo na missão. Mato Grosso, mesmo não integrando o bloco, também tem interesse na questão. A intenção do Estado vizinho é garantir a compra de gás natural para projeto de geração de energia por meio de termelétrica.

Hoje, os estados do Codesul são abastecidos com gás natural fornecido pela Petrobras, que nos últimos anos vem reduzido de forma drástica o volume importado da Bolívia e prejudicando diretamente a arrecadação de ICMS de Mato Grosso do Sul, com a queda do imposto do gás atingindo a cifra de R$ 700 milhões.

Depois de se reunir com o presidente Michel Temer, no dia 14 de fereiro deste ano, oportunidade em que manifestou sua preocupação com a medida unilateral adotada pela Petrobras e pediu a intervenção do governo federal, o governador assumiu a negociação com a Bolívia e vai liderar a comissão dos estados do Codesul.

Essa importação conjunta, na avaliação do diretor-presidente da MSGás, Rudel Trindade, será uma garantia de manutenção da receita do gás a Mato Grosso do Sul, independentemente da flutuação do volume bombeado pela Petrobras, que tem contrato até 2019 com a Bolívia. Ele adiantou que, pelas projeções oficiais da estatal, esse volume, que era de 30 milhões de metros cúbicos/dia, até 2014, cairá pela metade em 2017.

“A proposta do governador manteria uma quantidade expressiva de importação do gás boliviano e o Estado não ficaria refém dessa variação, a qual hoje compromete as nossas finanças”, afirmou o presidente da MSGás. Rudel adiantou que a reunião em Santa Cruz de La Sierra definirá também o fornecimento do gás a novos empreendimentos do Estado, como a usina termelétrica a ser instalada em Ladário.

Além de Pedro Taques e Reinaldo Azambuja, participaam da comitiva brasileira o coordenador-geral de Assuntos Econômicos Latino-Americanos e Caribenhos da Subsecretaria-Geral da América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, dirigentes de estatais de gás e energia do PR, de SC e do RS; secretário de Infraestrutura Marcelo Miglioli, e o diretor-presidente da MSGás, Rudel Trindade.

Do lado boliviano, está confirmada a presença do presidente Evo Morales, o ministro de Hidrocarburos Y Energía, Luis Alberto Sanchez Fernández, o vice-ministro de Exploração e Exportação de Hidrocarboneto, Luis Alberto Poma Calle; o vice-ministro de Industrialização, Comercialização, Transporte e Armazenamento de Hidrocarboneto, Oscar Barriga Arteaga; e o presidente da estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Boliviano), Guilhermo Acha Morales.

Comentários