Propinas e desvios da Petrobras podem chegar a R$ 20 bilhões

O procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF) disse nesta sexta-feira, em evento na Zona Oeste do Rio, que o esquema de pagamento de propinas na Petrobras e em outras estatais, investigado no âmbito da Operação Lava Jato, chega a R$ 10 bilhões. Mas o valor pode passar de R$ 20 bilhões se for incluído no cálculo, além das propinas, os desvios referentes a contratos com fornecedores e os negócios superfaturados,

O procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF) – Foto: MPF

Dallagnol afirmou que essa estimativa se baseia em um contrato entre a Petrobras e a Camargo Corrêa, no valor de R$ 1,5 bilhão. “O superfaturamento nesse contrato chegou a R$ 600 milhões”, explicou. “Só na Petrobras, o valor de propina envolveu mais de R$ 6,2 bilhões”, acrescentou.

Dallagnol abriu na manhã de sexta-feira, em São Conrado, a programação do último dia do 21º Congresso Nacional do Ministério Público e da 5ª Conferência Regional da International Associations of Prosecutors (IAP) para a América Latina. O procurador falou sobre “10 medidas contra a corrupção”, campanha do MPF para coibir desvio de verbas públicas e atos de improbidade administrativa.

O procurador afirmou que a Operação Lava Jato provavelmente não vai mudar a maneira como o país enfrenta a corrupção, mas com certeza criará condições para mudanças estruturais visando a prevenir os desvios de verbas públicas e a prática da improbidade administrativa.

A campanha, que já dura cerca de dois meses, colheu até o momento mais 380 mil assinaturas. Para que se torne projeto de lei de iniciativa popular são necessários 1,5 milhão de assinaturas (1% dos eleitorado nacional) para ser encaminhado ao Congresso.

Ele pediu o engajamento de todos na campanha para colher assinaturas, cartas de apoio e fazer palestras para informar à população.

“A Lava Jato combate um tumor, mas o sistema é cancerígeno. Não temos uma defesa jurídica contra a corrupção no Brasil. Vivemos um janela de oportunidade e – se não aproveitarmos esse momento para mudarmos nossa realidade – não sabemos quando teremos outra oportunidade como essa”, declarou.

Fonte: Agência Brasil e Jornal do Brasil

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