Projeto promoverá cinema Campo-grandense com estudantes em 10 locais

Lúcio Borges

Casa de Roberto Higa que possui diversos registros históricos de MS e é apresentada em ‘Memórias de Luz’ de Farid Fahed

Os estudantes da Capital, uma parte deles ao menos, receberá nos próximos meses o denominado “Projeto Campo Grande na Tela”, que visa apresentar produções de filmes em curta e média metragem, produzidos em nossa cidade. O planejamento para os eventos em ‘cinema na escola’ será realizado entre o final deste mês de março a junho, passando por sete escolas municipais e nas instituições de ensino superior publicas na Capital. A Marruá Arte e Cultura, que é um dos organizadores da ação ressalta que o objetivo é mostrar que nossa cidade tem lindas paisagens e personagens marcantes que já foram retratadas de diversas maneiras em produções locais, mas, os trabalhos se vistos/assistidos, foram vistos por poucos. Veja abaixo, lista das unidades escolares e filmes pelo projeto, que já inicia na próxima segunda-feira (26).

“Por muitas vezes, esses filmes não chegam a grande parte dos campo-grandenses, principalmente aos adolescentes e jovens, para valorizar o trabalho realizado e a nossa cidade. Mostrar e dar conhecimento sobre o que já aconteceu e tem de belo por Campo Grande. Assim, o projeto visa levar essas películas até eles e trazer a memória do cinema de nossa cidade”, aponta a Marruá Arte e Cultura, que programou a ação para iniciar no dia 26 de março, o ‘Campo Grande na Tela’, que conta com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais), oriundos da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura.

Conforme divulgação da Marruá, o “Campo Grande na Tela” chegará as escolas da rede municipal de ensino das sete regiões da Capital, ao IFMS e UFMS (Instituto e Universidade Federal de MS), como a UEMS (Universidade Estadual de MS), que receberão uma mostra em que serão apresentados 20 curtas-metragens produzidos aqui (confira todos os filmes que participam abaixo). A curadoria foi feita pela fotógrafa e videomaker Elis Regina Nogueira e possui cinco programas diferentes a serem exibidos de acordo com o público alvo de cada instituição de ensino.

Em ‘Espera’, Fábio Flecha conta a história de um sertanejo que decide fazer uma caçada de Espera

“Nos últimos anos o trabalho da Marruá se aproximou do cinema e da prática audiovisual. De projetos que desenvolvemos surgiram vários curtas. Percebemos que havia um acervo deles bastante relevantes e reveladores sobre a cidade em que moramos. Diante desse repertório pensamos ser importante transmitir esse conhecimento às novas gerações, produzindo mostras para exibição nas escolas e guias pedagógicos para apoiar os educadores realizando debates”, explica Belchior Cabral, coordenador do projeto.

Evento para continuar em sala de aula

Antes de levar a mostra para cada escola, integrantes do projeto vão até o local e expõem um guia pedagógico explicando como funciona o projeto e apresentando os filmes que participam da mostra. No guia ainda há sugestões de temas e exercícios sobre o conteúdo gerado a partir deste contato com o cinema que podem ser aproveitados em sala de aula nas disciplinas de História, Literatura, Português, Geografia e Artes. Neste sentido o projeto atende o cumprimento da Lei que determina a exibição de filmes nacionais nas escolas de educação básica.

O diretor Essi Rafael participa com dois filmes na mostra: Ela Veio me Ver e A TV Está Ligada

‘A primeira escola a receber o projeto será a Escola Municipal Arlindo Lima, localizada no Centro, nos dias 26 e 27 de março, pela manhã e tarde, respectivamente. Nos dias 10 e 11 de abril é a vez da Escola Municipal Hércules Maymone, que fica no Nova lima, na região Segredo. Por lá a exibição é aberta ao público.

Ainda participam do ‘Campo Grande na Tela’ as Escolas Municipais: Professor Nagib Raslan, que fica no Jardim Petrópolis, na região Imbirussú; Consuleza Margarida Maksoud Trad, no bairro Estrela Dalva, na região Prosa; Professor Múcio Teixeira Júnior, na Vila Carlota, que fica na região Bandeira; Irene Szukala, localizada no Jardim das Hortências, na região Anhanduizinho; Dr. Tertuliano Meirelles, no bairro Caiçara, na região Lagoa; além do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Após cada sessão será promovido um debate com diretores, atores, produtores, jornalistas, entre outros profissionais comprometidos com o cinema local, juntamente com professores da escola e os alunos.

Websérie

Simultaneamente à mostra será produzida uma websérie, dividida em 10 episódios, com a abordagem de aspectos culturais das comunidades participantes, apoiando os profissionais que atuam na área. A apresentação será feita por dois adolescentes, que foram selecionados em chamada pública: a estudante Mariana Nogueira, de 13 anos, e o estudante Lucas Herrera, de 16 anos.

Depois de pronto, cada capítulo será publicado no YouTube, sendo veiculado ainda no desenvolvimento das atividades do projeto. Após o término do Campo Grande na Tela, a mesma continuará sendo acessada na web e também poderá ser incluída em programação televisiva, dependendo do impacto que tenha na sua veiculação inicial.

Filmes que serão exibidos nas escolas:

1. SER CRIANÇA EM CAMPO GRANDE

Direção: Constantina Xavier – 2011. 7,38” – Livre. Animação

Sinopse: Os sonhos infantis de uma Campo Grande recriam e imaginam uma cidade de doces e sem violência, com chuvas de balas e uma professora de gelatina.

2. OLHAR DIFERENTE

Direção: Marielle Oliveira – 2013. 5,31” – Livre. Documentário

Sinopse: Aos seis anos, um acontecimento mudou a vida de Bruno. O que parecia um obstáculo intransponível tornou-se um estímulo para a construção de uma vida saudável e vitoriosa.

3. O OLHAR INDÍGENA SOBRE CAMPO GRANDE

Direção: Sidney de Albuquerque – 2013. 9,51” – Livre. Documentário

Sinopse: Indígenas de várias etnias vieram a Campo Grande em busca de melhores condições de vida e educação para os filhos. Dificuldades, acolhimento e esperança no futuro.

4. ESPERA

Direção: Fábio Flecha – 2012. 15’ – 12 anos. Ficção

Sinopse: Um sertanejo vive muito distante da cidade e decide fazer uma caçada de espera. Um caçador mais experiente pede a ele que tenha paciência e aguarde um bicho maior. O problema é que numa caçada de espera, você nunca sabe o que vai acontecer.

5. ELA VEIO ME VER

Direção: Essi Rafael – 2011. 16’ – Livre. Ficção

Sinopse: Delcides espera a chegada de Tatiane. Eles vão passar uma tarde juntos pela primeira vez.

6. CLAVE LATINA

Direção: André Knöner – 2013. 4,31” – Livre. Documentário

Sinopse: Artistas de rua vindos de várias partes do continente americano, por alguns meses, dias ou semanas vivem na cidade de Campo Grande, estabelecendo um elo cultural entre mundos com pontos de vista, valores e atitudes diversas.

7. TIA EVA

Direção: Ana Carla Pimenta e Vânia Lúcia Duarte – 2013. 6,08” – Livre. Documentário

Sinopse: Retrato de Tia Eva, uma mulher escravizada que chegou em Campo Grande em 1905, época da formação da cidade, na visão de seus descendentes que lutam para manter viva as origens e as tradições de uma comunidade quilombola.

8. LAMENTO

Direção: Eduardo Romero – 2011. 4,29” – Livre. Ficção

Sinopse: Um barquinho de papel navega pelo córrego Bandeiras, revelando poeticamente os limites de convívio entre homem e natureza.

9. PRETO E BRANCO

Direção: André Knöner – 2011. 5,05 – Livre. Documentário

Sinopse: Três mulheres, um time, muitas histórias. A paixão pelo Operário Futebol Clube em momentos inesquecíveis na arquibancada do Estádio Universitário Morenão.

10. MEMÓRIAS DE LUZ

Direção: Farid Fahed – 2013. 5,13 – Livre. Documentário

Sinopse: Roberto Higa, fotógrafo com um acervo de mais de 250 mil imagens que conta, ao longo de quase meio século, a história de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e marca gerações com suas recordações: passado presente.

11. ENTERRO

Direção e roteiro: Fábio Flecha – 2014. 19’ – 12 anos. Ficção

Sinopse: Três amigos partem em busca de um tesouro antigo sem imaginarem os perigos que irão enfrentar.

12. A TV ESTÁ LIGADA

Direção e roteiro: Essi Rafael – 2011. 24,33” – 10 anos. Ficção

Sinopse: Um maníaco à solta incendeia os noticiários televisivos e causa pânico nas ruas de Campo Grande. Uma comédia sobre violência urbana, paranoia e sensacionalismo

13. GLAUCES

Direção: Joel Pizzini – 2001. 5’ – Livre. Documentário

Sinopse: Um recorte do média-metragem GLAUCES – ESTUDO DE UM ROSTO sobre a arte de interpretar de Glauce Rocha, considerada uma das atrizes mais importantes da história do teatro e do cinema. Glauce era filha do rei. Glauce era rival de Medéia. Glauce é terra, navalham carne transe. Glauce era só. Glauce é rocha. Glauce era glauce ou Glauce é Glauce.

14. ESTAÇÃO

Direção: Aurélio Marques – 2011. 3,47” – Livre. Documentário

Sinopse: Um ex-ferroviário da Rede Noroeste do Brasil dá um tom saudosista à história da estrada de ferro que marcou época.

15. NOVA LIMA, MIL PECADOS

Direção: Ivair Dantas – 2017. 10,40” – 10 anos. Videoclipe

Sinopse: O grupo La-Firma Zn Clã revela a violência que assola o bairro Nova Lima, Zona Norte de Campo Grande e o desejo de quebrar o elo da vingança que a perpetua na região.

16. CORTES

Direção: Roberto Leite – 2015. 17’ – Livre. Ficção

Sinopse: Jade (Camila Schneider) é uma jovem disposta a dar fim na depressão que a acompanha desde criança. A doença se agrava após a morte do marido Luis (Vinicius Olivo), momento no qual inicia seu processo de despedida. Leo (Filipi Silveira) mostra a ela que a vida é feita de novas fases, cortes e cicatrizes.

17. A OUTRA MARGEM

Direção e roteiro: Nathália Tereza – 2015. 26’ – Livre. Ficção

Sinopse: Sábado à noite, Centro­-Oeste do Brasil, Jean é um agroboy que escuta a rádio local onde as pessoas deixam mensagens de amor.

18. MARCO AURÉLIO

Direção: Ivan Molina Velasquez – 2013. 4,31 – Livre. Documentário

Sinopse: Um homem curioso e poético caminha pelas ruas de Campo Grande, tornando-a mais humana.

19. CONCEIÇÃO DOS BUGRES

Direção: Candido Alberto da Fonseca – 1981. 9’ – Livre. Documentário

Sinopse: filmado nos anos 80, recuperado e digitalizado em 2016, a obra retrata a artesã construindo seus bugrinhos que se tornaram símbolo do Mato Grosso do Sul.

20. DE TANTO OLHAR O CÉU GASTEI MEUS OLHOS

Direção: Nathália Tereza  – 2017. 25’ – Livre. Ficção

Sinopse: O pai de Luana e Wagner envia uma carta após anos de abandono. Wagner acredita que o pai pode ter mudado. Luana não.

O Projeto

O projeto Campo Grande na Tela é realizado pela Marruá Arte e Cultura e fazem parte dele: Elis Regina Nogueira, curadora e coordenadora pedagógica; Andréa Freire, coordenadora pedagógica e produtora executiva; Júlia Basso, assistente de produção; Rafael Mareco, designer e diretor de arte; Natália Cabral, na administração; Lucas Arruda, assessor de imprensa; Farid Fahed, produtora da websérie; Belchior Cabral, diretor e roteirista; Mariana Nogueira e Lucas Herrera, apresentadores; Helton Pérez, diretor de fotografia; Hana Chaves, assistente de fotografia; Márcio Higo, assistente de câmera; Eduardo Cabral, assistente de direção; Marina Peralta e Estúdio 45, fazendo a trilha sonora original.

A Marruá Arte e Cultura é uma produtora cultural independente fundada em 1992, em Campo Grande. Atua em diversas vertentes artísticas como música, literatura, fotografia e audiovisual, sempre com muita referência em relação à identidade local.

Entre suas atribuições estão a criação e produção artística, edição de livros, elaboração e desenvolvimento de projetos, gestão e consultoria. Já realizou trabalhos em parceria com instituições públicas e privadas, empresas produtoras e grupos criadores. O nome Marruá é inspirado no touro de porte do Pantanal brasileiro.

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