Projeto denuncia extração do xisto como ameaça à agricultura e ao meio ambiente de MS

Silvio Ferreira

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brazil, o deputado Amarildo Cruz (PT) defendeu o projeto de sua autoria que pretende suspender por dez anos a exploração de gás de xisto em Mato Grosso do Sul.

Na justificativa da proposta está o fato de que o método de extração do xisto – por meio da perfuração e fraturamento hidráulico de rochas no subsolo – pode gerar a contaminação da água potável dos lençóis freáticos.

A defesa da proibição da exploração do xisto no estado – e o debate sobre formas ambientalmente corretas de exploração dos recursos naturais do estado -, serão temas da audiência pública nesta segunda-feira, 16, às 15h30, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

“Danos irreversíveis ao Meio Ambiente”
Segundo os defensores da proibição da exploração do xisto, a extração do xisto é particularmente ameaçadora em um estado que tem alguns dos principais santuários ecológicos do mundo – biomas como o Pantanal, o cerrado e a região da Serra da Bodoquena, em que se destaca Bonito. E que ainda possui uma das maiores reservas de água potável do mundo, o Aquífero Guarani.

Biomas únicos e santuários ecológicos sofreriam danos irreversíveis, segundo ambientalistas. Foto: Mike Bueno

“Na audiência pública que será realizada nesta segunda-feira, às 15h30, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, vamos discutir a intenção da Petrobras de permitir o processo – extremamente nocivo ao meio-ambiente – de extração do gás de xisto, para a geração de energia elétrica. Uma ação que pode causar prejuízos incalculáveis a pelo menos 26 municípios do estado. Não podemos permitir algo assim, se existem alternativas ambientalmente sustentáveis, como a geração energia de matriz solar e eólica”, afirmou o deputado.

De acordo com o Dr.Prof.em Engenharia, Juliano Bueno de Araújo, coordenador geral da Coesus, Coalisão Não Fracking Brasil, que promove à audiência em parceria com o parlamentar sul-mato-grossense -, por trás desse interesse econômico, pode existir uma estratégia ainda mais ameaçadora:

“A extração do xisto – esse ‘gás da morte’ – que já foi proibida em países como França, Alemanha e Holanda, não duraria muito mais do que cinco anos aqui em MS, mas exigiria perfurações em vários pontos do estado. No processo de fracking, elementos tóxicos e até radioativos são inseridos no subsolo comprometendo recursos hídricos, o solo, a agricultura e a saúde da população.”

“Interesses escusos e danos irreversíveis à Agricultura”

Mato Grosso do Sul é um dos maiores celeiros da produção agrícola do mundo. Não podemos permitir que interesses econômicos estrangeiros destruam os nossos recursos naturais e a nossa agricultura; que destruam os nossos santuários ecológicos, os nossos ‘paraísos’, para fazer da economia deles, um paraíso no futuro”, concluiu Araújo.

Audiência pública pretende demonstrar a ameaça que a exploração de xisto representa aos recursos hídricos e – por extensão – à agricultura de Mato Grosso do Sul. Foto: UOL

A audiência pública “Impactos na Extração do Gás de Xisto em MS” será realizada nesta segunda-feira, 16, às 13h30 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Mais informações no site da Coesus – Coalisão Não Fracking Brasil.

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