Programa do PT na televisão ironiza “panelaço” e não escapa de protestos

A presidente Dilma Rousseff retornou ao programa partidário do PT nesta quinta-feira (6), em cadeia nacional de rádio e TV, para convocar os brasileiros à união que evitaria uma crise política no Brasil. Ela afirmou que sabe “suportar pressões e até injustiças”. Ao fim dos 10 minutos de programa, o partido ironiza os “panelaços”, realizados em protestos contra Dilma e o PT, ao dizer que o partido é o “que mais encheu a panela dos brasileiros”. Não foi o suficiente para conter as reações barulhentas registradas nas principais capitais brasileiras.

(Divulgação/Internet)
(Divulgação/Internet)

Em Brasília, moradores de Águas Claras, Cruzeiro, Asas Norte e Sul, Sudoeste e Guará estiveram entre os que foram às varandas com panelas, contra o governo. Na Quadra 100 do Sudoeste, pouco antes do horário político começar, a movimentação era tranquila. Assim que a presidente tomou as telas, dezenas de pessoas se juntaram no panelaço. Outras optaram pelo acender e apagar de luzes de casa.

Também foi possível ver moradores com as luzes do apartamento apagadas, mas ligando e desligando lanternas. Gritos de “fora Dilma” e “bando de ladrão” acompanharam o protesto. Motoristas apoiavam a manifestação com o barulho das buzinas. Fogos de artifício também foram ouvidos na capital. No Twitter, ahashtag #panelaço ficou entre os três assuntos mais comentados no Brasil.

“Crise em toda parte”

Com apresentação do ator José de Abreu, o programa trouxe discursos do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e do presidente do partido, Rui Falcão. O PT usou imagens de políticos oposicionistas, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), José Agripino (DEM-RN) e o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) para conclamar: “Não se deixe enganar pelos que só pensam em si mesmos”. A frase se repetiu em outro momento do vídeo.

O PT se defendeu das críticas sobre a crise no Brasil. Rui Falcão afirmou que “há crise em toda parte” e que quem restrige a crise ao país quer “enfraquecer a política” e “desestabilizar o governo”. O partido ressaltou, em seguida, que a política brasileira seguiu na contramão das nações europeias que enfrentavam crise nos últimos três anos e reduziu bilhões em impostos neste período.

O programa mencionou os feitos do mandatos de Dilma Rousseff somente após quatro minutos de vídeo. Logo depois, o partido minimizou o momento de turbulência na política nacional e cita a ditadura militar – 1964 a 1985 – como exemplo de “grave crise política”.

Luis Inácio Lula da Silva discursou a partir da segunda metade do programa. O ex-presidente inicialmente admitiu a má fase da política brasileira e disse que “a crise já chegou nas (sic) nossas casas”. Ele, em seguida, exalta o “pior momento” do PT em comparação com “o melhor momento de governos passados”.

Dilma Rousseff iniciou o discurso afirmando que o Brasil está em um momento de “travessia” e promete que o país voltará a “crescer com todo o nosso potencial”. A presidente se posiciona contra a acomodação dos governantes: “muito menos uma pessoa como eu”.

“Panelaço”

Por fim, o apresentador José de Abreu afirma que, “nos últimos tempos, começaram a dar uma nova utilidade às panelas”. O programa do PT ironicamente se refere aos “panelaços”, manifestações ocorridas nos últimos meses por pessoas descontentes com o governo Dilma. Os protestos são convocados via redes sociais e ocorrem simultaneamente aos pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente da República e do partido.

Correio Braziliense

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