Produção de veículos no Brasil cai 18,5% no 1º semestre de 2015

A produção brasileira de veículos, incluindo automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), caminhões e ônibus, recuou 18,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2014, segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação de Fabricantes) nesta segunda-feira (6).

Robôs soldam carros na fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo
Robôs soldam carros na fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo

Nos primeiros 6 meses do ano, foram montadas 1.276.638 unidades, contra 1.566.049 no ano passado. O resultado de 2015 é o pior para o período desde 2006, quando o setor somou 1,13 milhão de unidades fabricadas.

O declínio acompanha a queda de 20,7% nas vendas, de acordo com a Fenabrave (Federação dos Concessionários).

Em junho, a produção chegou a 184.015 unidades, o que representa recuo de 12,5%, em relação a maio, que havia alcançado 210.386 unidades. Comparado com junho de 2014, quando 215.934 veículos foram produzidos, houve baixa de 14,8%.

Caminhões e ônibus

Embora tenham número bem menor que de automóveis, a fabricação de caminhões e ônibus sentiu mais a crise no setor, com declínio de 45% e 27%, respectivamente.

“Posso dizer que o setor de caminhões teve queda brutal na produção. Retornamos a produção de caminhões de junho de 1999”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan.

Exportações

Os primeiros meses de 2015 foram ruins, mas a exportação de veículos se recuperou e soma 197.348 unidades no 1º semestre – uma alta de 16,6% ante o mesmo período do ano passado. Em junho, o número de unidades enviadas para fora do país chegou a 48.068.

“Foi a melhor marca de exportação nos últimos 20 meses”, apontou Moan. “Os mercados que mais expandimos as exportações foram México, Peru e Chile. No acumulado, aumentamos em 70% as exportações ao México.”

Emprego

A crise afeta o nível de empregos, com corte de 9,6% dos funcionários do setor no semestre. De acordo com o presidente da Anfavea, atualmente outros 36,9 mil trabalhadores estão afastados (de licença, férias coletivas ou contratos suspensos, o chamado lay-off).

“Isso significa 27% da força de trabalho. Isso mostra o esforço da indústria para manter o nível de emprego”, afirmou Moan. Com as linhas paradas, os estoques nos pátios e lojas foram reduzidos, mas continuam altos.

No final de junho, 338,8 mil unidades estavam paradas à espera de compradores, o que representa um total de 47 dias de vendas no ritmo atual. Ou seja, se todas as fábricas parassem de produzir, as lojas ainda levariam 47 dias para ficar sem carros para vender.

G1

Comentários

comentários