Presidente do STF acaba de homologar delações da Odebrecht na Lava Jato

Ministra entre presidentes do Senado e da República, Renan Calheiros e Michel Temer, que são delatados em depoimentos

A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, homologou a pouco, na manhã desta segunda-feira (30), as delações de 77 executivos e ex-funcionários da empresa Odebrecht. Os esperados depoimentos detalham o megaesquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato, e são todos documentos que estavam sob a responsabilidade do então ministro Teori Zavascki. A magistrada teria até amanhã para fazer as homologações no crivo de sua competência de presidente, dentro do recesso da Corte, pois posteriormente haveria que indicar o substituto do magistrado que morreu em acidente aéreo há 10 dias.

Amanhã (31) é o último dia do recesso do Judiciário, e assim, Cármen Lúcia, como titular da Corte, oficializou os mais de 800 depoimentos prestados ao MPF (Ministério Público Federal), pelos 77 envolvidos, que se tornaram válidos juridicamente. Com isto, todos os documentos entre falas e papeis, podem ser utilizados como prova. A expectativa agora, é pela retirada do sigilo das delações, nas quais os ex-executivos citam dezenas de políticos com mandato em curso como envolvidos no pagamento de propinas. Entre os delatores está o ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, que já está preso a quase dois anos na Policia Federal do Paraná.

O curso das investigações da Lava Jato, se o MPF em Curitiba que conduz o processo, não postergar ou fazer seletivas, se avolumará em grande proporção e deve envolver centenas de políticos do Brasil, entre todos os partidos políticos, além do PT, como o PSDB, DEM, PR, PTB, mas principalmente o PMDB, dos presidentes do Senado e da República, Renan Calheiros e Michel Temer, que já foram delatados no primeiro depoimento, entre os 77, e deverão ser envolvidos em algum ou em todos os demais 76, que restavam.

A homologação ocorre após a morte do relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, na semana passada, na queda de um avião no mar próximo a Paraty (RJ). Ele trabalhava durante o recesso do Judiciário para conseguir homologar rapidamente as delações. Após a morte de Teori, restou à ministra Cármen Lúcia a prerrogativa de poder homologar as delações durante o recesso do Judiciário, por ser presidente do Supremo.

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