Presidente do BC classifica instabilidade política como ‘ruído’ e sinaliza que não vai mexer no compulsório

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O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, avaliou nesta quarta-feira (7), em café da manhã com jornalistas em Brasília, que as incertezas políticas desta última semana, representam incertezas e “ruídos”, mas acrescentou que a autoridade monetária tem de “passar um pouco por cima” destes fatores e olhar se as reformas estão sendo implementadas.

“Entendemos que é o momento de ter serenidade, persistir nos ajuste, nas reformas, para ter estabilidade monetária e os juros sustentáveis mais baixos para que a gente volte a crescer”, declarou Goldfajn – que afastou a possibilidade de antecipar a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 10 e 11 de janeiro, para baixar os juros mais rapidamente. “Não tem que ter precipitação”, declarou.

Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello concedeu liminar (decisão provisória) para afastar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. A Mesa Diretora do Senado, porém, decidiu que aguardará a deliberação do plenário do STF para cumprir a liminar do ministro Marco Aurélio – o que gerou tensão entre os poderes. A decisão do plenário do STF poderá ser anunciada nesta quarta-feira (7).

Pressão para cortar juros mais rapidamente

O presidente do Banco Central admitiu que há pressão para intensificar o processo de corte dos juros básicos da economia como forma de estimular o crescimento do nível de atividade na economia brasileira. Segundo ele, esse tipo de pressão é “algo recorrente” no Brasil.

“Dessa vez, questionam não a falta de credibilidade [do BC], mas o contrário. A gente tem bastante credibilidade. A gente abriu espaço e pode flexibilizar a política monetária [baixar os juros]. As discussões são para outro lado. Estamos fazendo o que tem de fazer e somos parte da solução”, acrescentou Ilan Goldfajn.

Compulsórios

Questionado sobre pressões para a autoridade monetária reduzir os compulsórios (recursos dos bancos que têm de ser mantidos no BC), Ilan Goldafajn declarou que esses são “rumores que não se colocam”.

“A gente tem um sistema [financeiro] bem líquido [com recursos suficientes], capaz de suprir qualquer necessidade de retomada [da economia]. A gente deve se concentrar na queda da inflação e na intensificação da queda de juros que a gente sinalizou. Acho que as outras medidas não vão ter o impacto que muitos gostariam”, declarou.

Corte maior dos juros

De acordo com o chefe do Banco Central, se o cenário previsto pelo Copom estiver certo, de menor nível de atividade, de queda dos preços e de “ancoragem” da inflação às metas preestabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (4,5% para 2017 e 2018, com teto de 6%), “provavelmente” a instituição vai acelerar o processo de corte dos juros em janeiro.

O mercado financeiro já acredita em sua maioria que os juros sofrerão um corte mais intenso, de 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, no começo de 2017.

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa básica da economia brasileira pela segunda vez seguida, de 14% para 13,75% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão, unânime entre presidente e diretores do BC, veio no mesmo dia em que o IBGE divulgou que o Brasil continuou em recessão no terceiro trimestre. Por conta da atividade fraca, havia pressão para que o BC acelerasse o processo de corte dos juros, o que não aconteceu.

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