Presidente autoproclamada da Bolívia diz que irá terminar com reeleição indefinida no país

G1/JP

A autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, durante pronunciamento no Palácio Presidencial, em La Paz, na quarta-feira (13) (Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

A presidente autoproclamada da Bolívia, Jeanine Áñez, chegou nesta quarta-feira (13) à Casa do Governo, no centro de La Paz, para assumir suas funções depois de se declarar presidente na tentativa de acabar com o vácuo de poder surgido após a renúncia de Evo Morales.

Áñez chegou de manhã ao Palácio Quemado, como é conhecido o edifício presidencial boliviano histórico, que Morales havia deixado de usar por considerá-lo um símbolo do velho poder.

Em uma entrevista coletiva, ela voltou a dizer que pretende convocar eleições o mais rapidamente possível, e afirmou ainda que irá revogar a emenda que permite que alguém seja reeleito indefinidamente.

“Este mandato presidencial estritamente provisório terá dois objetivos fundamentais: a revogação da sentença inconstitucional 0084/2017 de 28 de novembro de 2017 e a convocação de eleições gerais no menor tempo possível, conforme estabelecido pela Constituição”, disse.

Áñez acrescentou que será garantido um processo eleitoral limpo e transparente, no qual “todos os cidadãos que cumpram os requisitos constitucionais” possam participar, de acordo com o jornal “El Deber”.

A presidente interina também deu posse ao novo alto comando militar do país, com Carlos Orellana Centellas nomeado Comandante das Forças Armadas da Bolívia.

A autoridade da presidente interina é questionada pelos partidários de Morales, porque a Assembleia Legislativa na qual assumiu a Presidência interinamente não reuniu o quórum necessário devido à ausência dos parlamentares leais ao ex-presidente, que na segunda-feira (11) deixou o país para se asilar no México.

Com a ascensão de Áñez, a oposição pretende preencher o vácuo de poder surgido após a renúncia de Morales, de seu vice-presidente e dos titulares de ambas as câmaras do Congresso.

O líder indígena abandonou o cargo no domingo (10) denunciando um golpe de Estado depois que as Forças Armadas lhe “sugeriram” renunciar em meio aos grandes protestos de opositores que o acusavam de cometer fraude nas eleições de 20 de outubro.

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