Prefeitura tem 30 dias para suspender contratos com empresas de Amorim e Baird

Diante dos desdobramentos da Operação Lama Asfáltica, coordenada pela Polícia Federal, o Ministério Público Estadual (MPE) recomenda que a prefeitura da Campo Grande suspenda, nos próximos 30 dias, todos os contratos mantidos entre o Executivo e a empreiteira Proteco Construções e a empresa Itel Informática. As duas empresas são dos investigados João Krampe Amorim e João Barid, respectivamente. A recomendação, publicada no Diário Oficial da próxima segunda-feira (27).

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Com o pedido de suspensão de contratos firmados entre a prefeitura e a Proteco, o empresário João Amorim perderia seus compromissos firmados nas esferas municipal e estadual. Durante essa semana, o governo do Estado cancelou repasses à empresa referentes à execução de obras no Aquário do Pantanal. A empresa de Amorim também atua em serviços de tapa-buraco na Capital.

A recomendação do MPE, assinada pelo promotor Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, afirma que está claro que as empresas tanto de Amorim quanto de Baird operam esquema de desvio de dinheiro público.

A sociedade entre os empresários e também a sócia de Amorim, Elza Cristina Araújo dos Santos, que supostamente mantêm vínculos com empresa holandesa, também motivou a recomendação.

As investigações da Polícia Federal apontam que o empresário João Amorim teve participação na cassação do então prefeito Alcides Bernal, ocorrida em 2014. Amorim e João Baird, pivôs da operação Lama Asfáltica, fizeram doações de R$ 386 mil e R$ 630 mil, respectivamente, à candidatura de Nelsinho Trad, que no ano passado disputou o Governo do Estado.

No texto, o promotor recomenda que o prefeito Gilmar Olarte (PP) suspenda os contratos ainda em vigor em no máxima 30 dias.

Se nenhuma atitude for tomada, o MPE afirma que providências judiciais podem ser tomadas.

CONTRATOS

Empreiteiros supostamente envolvidos no esquema de fraudes em licitações públicas, investigados na operação Lama Asfáltica, conduzida pela Polícia Federal, firmaram nos últimos três anos contratos com a prefeitura de Campo Grande que somam em torno de R$ 3,3 bilhões.

Parte desta quantia, em torno de meio bilhão de reais, já caiu nos bolsos dos empreiteiros, segundo pesquisa apurada no diário oficial do município.

No fim do ano passado, a prefeitura informou que o gasto mensal com a limpeza de avenidas, o programa tapa-buraco, roçada e revestimento primário, como cascalhamento de ruas e estradas no entornou da cidade, custavam ao município R$ 21 milhões.

Desta quantia, 69,9% eram destinados às empreiteiras ligadas ao empreiteiro João Amorim.

Ou seja, 13 milhões iam para as contas da Proteco e LD Construções, de Luciano Dolzan, genro de Amorim.

Isso quer dizer que a família do dono da Proteco arrecadou no ano passado em torno de R$ 150 milhões prestando serviço para a prefeitura de Campo Grande.

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