Prefeitos tentam driblar crise financeira e pedem apoio da população

Os prefeitos tentam encontrar uma fórmula de driblar a crise e traçar uma estratégia visando transmitir à população qual a responsabilidade de cada poder.
Prefeitos durante reunião na Assomasul Foto Edson Ribeiro
Prefeitos durante reunião na Assomasul Foto Edson Ribeiro
Na prática, eles não querem ser vistos como culpados pela situação por qual passam as prefeituras no momento por falta de dinheiro, sobretudo, devido à queda da receita que tem dificultado os investimentos prioritários.
O presidente da entidade, Juvenal Neto (PSDB), reconhece que a situação está difícil para todos, mas acha é importante divulgar a população quais as obrigações constitucionais de cada um (governo estadual, governo federal e municípios) para que a culpa não recaia apenas nos prefeitos.
Segundo ele, além dos problemas nas áreas de educação e saúde, que são considerados o grande gargalo da administração pública, os gestores enfrentam hoje outro grande problema que é a falta de dinheiro para contrapartidas dos programas federais.
O prefeito de Rio Brilhante, Sidney Foroni (PMDB), também é favorável a uma ampla campanha de esclarecimentos para que a população fique sabendo realmente quem são as responsabilidades em termos de investimentos nos municípios.
Para o prefeito de Anastácio, Douglas Figueiredo (PDT), tesoureiro da Assomasul, todos têm um pouco de culpa, mas o Congresso Nacional é o responsável por aprovar sucessivos aumentos de pisos salariais sem indicar a fonte de receita e outras matérias que acabam implicando em despesas para as prefeituras.
“100% do Fundeb vão para a folha de pessoal e cadê os investimentos nas escolas”, questionou Douglas, ao apontar ainda a questão do Programa Saúde da Família, cujo município recebe R$ 10 mil do governo federal enquanto o custo total é de R$ 50 mil.
“O dinheiro que chega não dá pra nada , minha equipe custa R$ 50 mil. Acho que todos têm uma parcela de culpa. Se o ICMS cai e o Estado não está nos ajudando não é porque não quer é porque não tem dinheiro, então estamos numa grande sinuca”, reclamou o prefeito de Anastácio, dizendo que, por sua vez, o governo federal aumentou as obrigações dos municípios e não indicou a fonte de recursos.
O prefeito de Rio Negro, Gilson Romano (PMDB), também considera grave a situação dos municípios por uma série de fatores, apontando a área de saúde como uma das mais deficitárias. “A estrutura que eu tenho lá no hospital é vergonhosa”, desabafou, citando valores insuficientes repassados pelo governo federal para investir nesse e em outros setores da administração local.
O prefeito contou que um médico custa para a prefeitura R$ 30 mil por mês, mas o governo federal não repassa nada. Ele também criticou os valores destinados pela União para manutenção da merenda escolar do município.
A prefeita de Novo Horizonte do Sul, Nilza Marques (DEM), disse que os prefeitos estão sendo olhados como responsáveis pela situação. “Estamos sendo tachados como péssimos prefeitos, sendo que não se tem recursos, dinheiro não brota”, queixou-se.
Para Juliana Almeida (PT), de Miranda, o importante é que esses problemas cheguem ao conhecimento da população que mora nos municípios visando um melhor esclarecimento.
ASSESSORIA ASSOMASUL

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