Prefeito pede ‘que médicos voltem ao trabalho’ e que professores ‘lembrem que têm condições melhores que na rede estadual’

Gilmar Olarte - 22.05.2015 - IIEm entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brazil, o prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), destacou que “as dificuldades que a prefeitura da Capital sofre não são apenas locais: o principal jornal do estado anuncia hoje que mais de 600 empresas estão sendo fechadas em meio a essa crise. O governo federal registra a pior arrecadação desde 2010 e tudo isso se reflete em Campo Grande”. Olarte alegou ainda que “viemos de outra crise, o impeachment, pela primeira vez em Campo Grande, que gerou instabilidade jurídica, política e financeira. Recebemos a prefeitura com um déficit de R$285 milhões. Tudo isso se reflete agora”, contextualiza.

“Em 2012, ‘no apagar das luzes’ da gestão anterior” [do ex-prefeito Nelson Trad Filho(PMDB)] “foi dado um aumento de R$13,3 milhões para os servidores. Se você multiplicar esse valor por 29 meses, são 300-400 milhões de reais extras que não deveriam ter sido concedidos”, argumentando que o município não tinha previsão orçamentária para arcar com essa despesa extra.

“Somado a outros aumentos, isso dá mais de 40% de aumento de salários, enquanto a receita, neste mesmo período, cresceu 15%”, pontuou. O prefeito de Campo Grande defendeu-se ainda, alegando: “o piso nacional dos professores, que eu honrei sem poder, nós ratificamos porque já havia sido concedido para 20 horas semanais. Esse piso trouxe o maior salário da categoria do país”, destacou. “O repasse do ICMS somente em 2015, foi reduzido ‘em uma canetada’, no dia 31 de dezembro, pelo governador anterior” [André Puccinelli (PMDB)] “em R$100 milhões de reais”, lembrou. “Juntando todos esses fatores, a redução do nosso fluxo de caixa chega a quase 400, 500 milhões de reais”, afirmou o prefeito.

Voltando a afirmar que “acredita na viabilidade de regularizar o pagamento da folha municipal ainda nos próximos 90 dias”, o prefeito argumentou: “Estamos fazendo cortes e ajustes onde podemos. Nós pedimos 90 dias (dois quais já se passaram 20) e vai ser possível voltar a pagar as gratificações dos médicos”. “Foi o que nós combinamos com os médicos: ‘Vocês nos mostram onde podemos cortar e nós devolvemos às gratificações imediatamente’, reafirmou. “Enquanto isso nós pedimos aos médicos que voltem ao trabalho. Há uma decisão para que retornem ao trabalho e nós estamos trabalhando para dar essas gratificações, que os médicos merecem, mas na conjuntura que o país e a cidade vivem, a única saída que nós tínhamos durante esses meses era fazer esses ajustes, fazer cortes para que pudéssemos pagar a folha”. Olarte frisou ainda que “a secretaria de administração está fazendo exonerações, ajustes financeiros e está conversando com médicos e professores, engenheiros e dentistas, com todas as categorias para manter os serviços funcionando”.

Finalizando, o prefeito argumentou que “o problema é que há todo um interesse político por trás de segmentos que se fazem de desentendidos porque querem desgastar politicamente a figura do prefeito, fazendo um linchamento público. Hoje há 16 categorias querendo entrar em greve. Enquanto [a categoria dos professores] aceita fazer recomposições com o governo do Estado, com a prefeitura que já garantiu o maior piso do país, os professores falam em paralisação”, ironizou.

Silvio Ferreira

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